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Ministério do trabalho e OAB reagem a listas de boicote e ameaças políticas

Listas de boicote a comércios e ameaças de demissões após eleições geram reação do Ministério do Trabalho e da OAB

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) intensificaram ações de repúdio e investigação após a circulação de listas de boicote a comerciantes e ameaças de demissão de trabalhadores associados ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A escalada de intimidações ocorre após o pleito, período em que o petista ampliou sua votação em todas as 162 cidades do Sul de Minas, saltando de 609.721 para 768.602 votos — um acréscimo de 158.881 eleitores.

Aumento de denúncias de assédio em Minas Gerais

Grupps de WhatsApp e redes sociais têm sido utilizados para propagar materiais que incentivam a população a não comprar em estabelecimentos específicos ou contratar determinados profissionais identificados com o petista. Além disso, vídeos e publicações estimulam patrões a demitirem colaboradores que votaram no candidato vencedor.

Até a última terça-feira (27), o Ministério do Trabalho e Emprego de Minas Gerais contabilizou 240 queixas formais contra empresas por causa de pressões políticas. Segundo o superintendente do MTE no estado, Carlos Calazans, os registros se concentram principalmente no Sul de Minas, no Triângulo Mineiro e na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Não é só o assédio eleitoral nesse caso, é assédio moral. Uma violação grave, um crime grave. A gente está acionando o Ministério Público, a Justiça do Trabalho, a Justiça Comum, para punir esse tipo de crime, que, convenhamos, não tem menor cabimento. Passadas as eleições, as pessoas optaram, opinaram, deram sua opinião, fizeram a sua escolha, vida que segue”, afirmou o superintendente. O órgão também solicitou às plataformas digitais a remoção imediata dos conteúdos e estuda medidas protetivas para os funcionários afetados.

Ação policial e posicionamento da OAB

Diante do cenário, autoridades políticas buscaram apoio das forças de segurança. Os vereadores de Poços de Caldas Diney Lenon e Tiago Mafra (ambos do PT) compareceram a uma delegacia da Polícia Civil para orientações sobre como proceder diante das ameaças.

“A orientação é juntar o máximo de provas materiais, de preferência com a origem das postagens, e proceder com o boletim de ocorrência. Agora, estamos nessa etapa de juntada de documentos” afirmou Tiago Mafra.

Em paralelo, as subseções da OAB de Passos e Muzambinho emitiram notas oficiais de repúdio contra as campanhas de perseguição e intimidação comercial. A unidade de Passos pontuou que a liberdade de expressão é inseparável da democracia, mas reforçou que o direito não chancelas violações a terceiros, alertando sobre possíveis desdobramentos cíveis e criminais conforme a legislação.

Por sua vez, a OAB de Muzambinho condenou a intolerância ideológica e apelou pelo respeito mútuo, enquanto as entidades reforçaram a importância da tolerância para manter a convivência pacífica na sociedade.

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