Home / Política / Polícia investiga vídeo de homem negro acorrentado em protesto

Polícia investiga vídeo de homem negro acorrentado em protesto

Polícia vai investigar vídeo em que homem negro aparece acorrentado em ato de apoio a Flávio Bolsonaro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu investigação para apurar um vídeo que mostra um homem negro sendo conduzido por uma corrente por um manifestante branco. A gravação foi realizada durante uma manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro na capital fluminense.

Contexto da manifestação na Barra da Tijuca O registro ocorreu na tarde de um sábado, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste carioca, em meio a atos de campanha eleitoral para a presidência da república. A mobilização marcou o encerramento das atividades do candidato no estado, contando com a presença de aliados políticos como o deputado federal Nikolas Ferreira e o governador eleito Douglas Ruas.

As imagens mostram o participante negro portando adesivos do Partido dos Trabalhadores e segurando um tridente, enquanto o manifestante branco caminha logo atrás puxando a corrente e proferindo xingamentos contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ação de órgãos de segurança e governo A Polícia Civil informou que “o caso foi registrado na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias dos fatos”. Paralelamente, o Ministério da Igualdade Racial acionou a pasta da Justiça e a Procuradoria Regional Eleitoral para averiguar a ocorrência de possível crime de racismo, enquanto o Tribunal Regional Eleitoral analisa os registros.

Repercussão do jornalista que flagrou a cena O autor da filmagem principal relatou o impacto imediato que o episódio provocou ao ser presenciado na orla da zona oeste.

“A primeira reação que eu tive foi de choque grande, porque a situação de um homem branco segurando um homem preto em correntes é muito explícita, né? Não tem contexto que possa justificar ou amenizar esse tipo de situação”, justificou o jornalista.

Defesa dos participantes do ato Identificado como o homem que segurava a corrente, Carlos Martins negou motivações preconceituosas e classificou a encenação como uma manifestação humorística de cunho político.

“A intenção era simplesmente uma sátira. Eu posto nas minhas redes sociais há muitos anos, chamando o Lula de Satanás e capiroto. É uma característica que não é a primeira vez, e a gente quis mostrar aqui que o Lula era o Satanás caracterizado e que o Bolsonaro, que para a gente está numa prisão injusta, estava prendendo o Lula. Não passou de uma simples sátira, nenhuma intenção racista de nada”, justificou Carlos Martins em um vídeo publicado nas redes sociais.

O envolvido também apresentou retratação pública direcionada à população que se sentiu atingida pela dinâmica exibida na manifestação de rua.

“Eu, há pouco tempo, publiquei que eu sempre fui contra o racismo. Eu falei até que o Lula era racista, que ele tinha chamado o negro de desdentado, que eu não pactuo com isso. A gente quer pedir desculpa a todos os cidadãos brasileiros que se sentiram ofendidos por isso. Não estamos aqui para desrespeitar qualquer ser humano brasileiro”.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *