O governo federal precisará adotar ações de forte impacto para resgatar a confiança nas contas públicas, conforme avaliação de economistas do setor financeiro.
Desafios fiscais e reação dos mercados
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizada em 25 de outubro de 2026 para o mandato de 2027 a 2031, veio acompanhada de forte instabilidade. No pregão seguinte, a Bolsa brasileira registrou queda de 15,71% até o início da tarde, refletindo a apreensão dos investidores.
A situação orçamentária brasileira tem se deteriorado desde o início da gestão atual em 2023. O endividamento estatal alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês de agosto de 2026, patamar significativamente superior ao de economias emergentes comparáveis.
Críticas a soluções superficiais
Para o ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, Daniel Leal de Barros, que atuou no órgão entre 2017 e 2019 e hoje é economista-chefe da ARX Investimentos, o quadro atual exige reformas profundas e estruturais na economia brasileira.
“Medidas band-aid, superficiais, não vão resolver o problema, porque o tamanho do desafio é muito grande”, afirmou Leal de Barros.
O especialista ressalta que o avanço das despesas governamentais impulsiona a dívida, aquece a demanda interna e gera pressões inflacionárias. Como consequência, a autoridade monetária é obrigada a manter a taxa básica de juros, a Selic, em patamares elevados para conter a inflação.
Medidas impopulares e risco de promessas de campanha
Entre as alternativas apontadas pelo economista para reverter o quadro estão ações como conter o ganho real do salário mínimo ou revisar os pisos obrigatórios de investimentos em saúde e educação. No entanto, tais mudanças colidem com promessas firmadas durante a disputa eleitoral.
“Todas seriam um estelionato eleitoral”, afirmou o especialista ao ponderar sobre a dificuldade política de implementar tais reformas.
Vulnerabilidade externa
Diante do cenário geopolítico desafiador e de juros internacionais superiores aos observados em administrações passadas, o país enfrenta um momento ainda mais complexo do que o visto nos anos da ex-presidente Dilma Rousseff. A dependência de capital estrangeiro é vista como crucial, uma vez que os recursos internos estão majoritariamente alocados em ativos isentos de tributação.
“Se o mundo espirrar, a gente entra em coma”, declarou o economista ao alertar sobre a fragilidade brasileira frente a turbulências internacionais.






