O Bradesco e a XP revisaram para baixo as projeções de crescimento da economia brasileira em 2027. As duas instituições também elevaram as estimativas de inflação. Os relatórios foram divulgados nesta sexta-feira, 6.
Ajustes nas estimativas de crescimento e preços
A XP reduziu a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para 2027 de 1,0% para 0,3%, enquanto o Bradesco cortou a estimativa de 1,0% para 0,4%. No campo inflacionário, a XP elevou a previsão de 4,4% para 5,5%, ao passo que o Bradesco aumentou a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,1% para 5,3%.
Causas da desaceleração econômica
As instituições financeiras apontam que o cenário é marcado por condições de crédito mais restritivas e uma desaceleração clara no setor. A XP destaca o elevado endividamento de empresas e famílias, somado a um menor impulso fiscal. Já o Bradesco observa a queda de 0,4% no consumo das famílias no segundo trimestre.
O relatório do Bradesco afirma que a atividade econômica já mostra sinais claros de moderação. O banco cita a contração de 0,2% do PIB no terceiro trimestre. O mercado de trabalho perde força e a inflação mais alta corrói a renda real da população.
Fatores de pressão inflacionária
O cenário inflacionário se tornou mais desafiador. A XP justifica a revisão com a mudança na jornada de trabalho, o petróleo em níveis altos, o câmbio depreciado e a reforma tributária. O Bradesco lista riscos adicionais, como a desvalorização cambial, a elevação dos combustíveis e os impactos do El Niño.
“Balança comercial registra superávit de US$ 9,3 bilhões em outubro”
Projeções fiscais e juros
Para 2026, as perspectivas também sofreram piora. O Bradesco projeta IPCA de 5,5% e a XP estima 5,2%, com ambas as instituições prevendo um crescimento de 1,5% para o PIB. Sobre o arcabouço fiscal, o relatório do Bradesco afirma que o arcabouço fiscal precisa de reforço para ancorar as expectativas.
O banco projeta que o governo cumprirá apenas o piso da banda da meta de resultado primário em 2027, com um déficit efetivo próximo a 0,1% do PIB. A projeção incorpora gastos anunciados durante a campanha eleitoral, incluindo despesas recorrentes como o Bolsa Família e medidas de perdão de dívidas. Por fim, o Bradesco estima a taxa Selic em 12,75% ao final de 2027, com o dólar cotado a R$ 5,50.






