A estiagem severa atinge a totalidade dos municípios de Roraima, deixando centenas de ribeirinhos isolados e provocando graves impactos no abastecimento de água e na navegação em diversas regiões do estado nortista.
Impacto na comunidade Panacarica
Na comunidade Panacarica, situada na divisa entre Roraima e o Amazonas, o rio local secou completamente. Para garantir o suprimento básico, os residentes precisam utilizar um sistema de bombeamento a uma distância superior a um quilômetro e meio.
“Essa mangueira vem ali da comunidade, ela vai até onde tem a água, para abastecer as casas”, conta um homem.
Situação crítica em Caracaraí
No sul roraimense, especificamente na comunidade do Caicubi, localizada em Caracaraí, a falta de água inviabilizou a navegação de embarcações de maior porte, paralisando a logística de entrega de alimentos e o suporte de atendimento médico.
“Os barcos já se encontram ancorados no porto da vila, não tem mais como se locomover. Então, nós estamos em estado de calamidade. Os agricultores sentem os impactos com suas plantações, não tem como remover os pacientes”, diz o morador Julio Araújo.
Somando as populações das duas localidades afetadas, cerca de 600 pessoas sofrem diretamente com os desdobramentos da falta de chuvas. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que 13 dos 15 municípios do estado encontram-se em situação de seca severa.
Nível do Rio Branco e perspectivas
Na capital Boa Vista, o cenário na orla revela a gravidade do fenômeno, permitindo que pedestres caminhem até o meio do leito do Rio Branco. Com a ausência de precipitações, a tendência é de agravamento do quadro nos próximos meses.
Segundo projeções da Defesa Civil estadual, o período crítico de estiagem deve se estender por mais cinco meses na região.
“O momento é de alerta, é de emergência, principalmente levando em consideração que nós estamos no mês de novembro e ainda temos pelo menos mais quatro ou cinco meses de verão aqui na nossa região, e vai agravar”, afirma o coronel Anderson Carvalho de Matos, coordenador de Proteção e Defesa Civil/RR.
Diante do cenário, equipes da Defesa Civil preparam ações de assistência direta às populações afetadas. O estado permanece sob decreto de emergência desde setembro em decorrência da estiagem prolongada e da proliferação de incêndios florestais, cujos focos registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já superam em mais de 60% o volume total contabilizado anteriormente.






