O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (19.out.2026) que tem dúvidas sobre a possibilidade de o próximo Congresso Nacional, com perfil mais conservador a partir de 2027, alterar a decisão que encerrou a jornada de trabalho de seis dias por um de descanso. O chefe do Executivo destacou que diversas categorias profissionais já operam no regime de cinco dias trabalhados por dois de folga.
“Pode, mas eu duvido que tire, porque não é uma coisa do Lula ou não é uma coisa do governo. O fim da escala 6 X 1 foi uma conquista do povo brasileiro”, declarou em entrevista ao SBT.
Resistência histórica e críticas ao empresariado
Durante a conversa, o mandatário lembrou que o país carrega um histórico de oposição a medidas voltadas para a proteção dos direitos trabalhistas. Como exemplo, citou a fundação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943 e a instituição do décimo terceiro salário no ano de 1962.
O posicionamento do presidente ocorreu após questionamentos sobre possíveis compensações financeiras para os setores econômicos afetados pela nova regra de jornada. “Nessa pátria da qual somos filhos, toda vez que você teve uma conquista para o povo trabalhador, o mundo ia acabar. Foi assim a vida inteira”, declarou.
Além disso, o chefe de Estado direcionou críticas ao empresariado nacional ao abordar o tempo de descanso dos trabalhadores. “Olha que engraçado, porque eles querem ter 10 dias para ir para Paris. E no caso do povo pobre, eles acham que vai beber. Não. Se o povo ganhar um pouco mais, ele vai pegar férias e também ele quer passear”.
Aposta na PEC da tarifa zero
No mesmo contexto, o presidente manifestou apoio integral à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui transporte público gratuito aos fins de semana. O texto deve ser enviado pelo Palácio do Planalto ao Legislativo antes do segundo turno da disputa presidencial, agendado para o dia 25 de outubro.
Para financiar a medida, estimada em cerca de R$ 16 bilhões anuais, o governo planeja utilizar uma fatia destinada às emendas parlamentares.
“Vai ser uma briguinha com o Congresso Nacional, mas isso faz parte da democracia. Todo deputado vai querer fazer uma concessão das suas emendas para que os seus eleitores possam passear no final de semana e visitar parente. Eu, sinceramente, acho que não vai ter problema”, pontuou.






