O papa Leão XIV declarou, nesta sexta-feira (6), que sente “orgulho de ser americano” depois de ter exercido seu direito de voto nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na última terça-feira (3). O pontífice participou do pleito por meio de correspondência postal.
Eleições e cenário político nos EUA A votação legislativa norte-americana ainda está em processo de apuração, mas as parciais já indicam um crescimento relevante do Partido Democrata frente à legenda republicana do presidente Donald Trump. Os democratas asseguraram 20 vagas no Senado — com sete vitórias por virada — e alcançaram 54 dos 100 assentos totais da Casa legislativa.
Na Câmara dos Representantes, a sigla conseguiu conquistar 237 das 435 cadeiras, efetuando a virada em 25 distritos anteriormente controlados pelos republicanos espalhados por mais de dez estados. Com essa participação, Leão XIV marcou seu nome na história ao se tornar o primeiro líder máximo da Igreja Católica a votar em um pleito nos Estados Unidos.
Início de viagem histórica pela América do Sul A manifestação pública ocorreu durante o voo rumo a Montevidéu, no Uruguai, marcando o início de um périplo de 12 dias pelo continente sul-americano. Aos 71 anos, o religioso aproveitou para atualizar seu estado de saúde, mencionando que se recupera satisfatoriamente de uma cirurgia pulmonar para tratamento de câncer realizada no mês passado.
Segundo o pontífice, o período de convalescença fortaleceu sua visão de que a assistência médica constitui um direito fundamental de todo ser humano.
Roteiro exigente e panorama regional A agenda internacional do papa prevê percorrer aproximadamente 31 mil quilômetros, contemplando passagens por Uruguai, Argentina e Peru em um dos itinerários mais complexos das últimas décadas. A recepção oficial acontece no Aeroporto Internacional de Carrasco, representando a primeira visita de um pontífice ao território uruguaio desde o ano de 1988.
O trajeto inclui dois dias no Uruguai, país de forte perfil secular, três dias na Argentina — terra natal de seu antecessor, Francisco —, e quase uma semana no Peru, local onde atuou como missionário e bispo, recebendo inclusive a cidadania peruana. A programação prevê grandes missas campais, discursos políticos, diálogos com a juventude e voos de helicóptero para regiões andinas isoladas, em um momento em que a América Latina, embora siga como a região com mais católicos no planeta, registra uma retração gradual na influência da Igreja Católica.






