O senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou que pretende atuar como empresário ou advogado caso decida fixar residência definitiva nos Estados Unidos.
Fontes de renda e projetos futuros
Em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald divulgada nesta sexta-feira (6), o parlamentar afirmou que, embora ocupe cargos públicos há 24 anos, sua principal fonte de renda “atualmente não é da política, é da iniciativa privada, como advogado“.
Questionado sobre a sustentação da família no exterior, o congressista pontuou que possui economias, mas reconheceu que precisará exercer alguma atividade caso decida ficar fora do Brasil. O senador admitiu que ainda desconhece as exigências legais necessárias para advogar em território norte-americano.
Como alternativa, o político mencionou sua experiência no setor empresarial brasileiro, citando especificamente a Bravo Grafeno, empreendimento focado no desenvolvimento de itens como capacetes fabricados com grafeno. Ele e a esposa, Fernanda, acompanhados das filhas, ainda não definiram em qual cidade vão morar, destacando que o custo de vida em Miami é alto, mas que suas reservas financeiras garantem a subsistência inicial.
Saída do Brasil e investigações
O parlamentar deixou o país após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais realizadas em 25 de outubro. No dia seguinte ao pleito, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a entrega de seus passaportes e proibiu sua saída do território nacional.
O senador desobedeceu a ordem judicial e desembarcou nos EUA em 28 de outubro, após transitar pela Argentina e pelo Equador. Segundo seu relato, a viagem foi realizada apenas com a esposa e sem aviso prévio a aliados, motivada pelo medo de uma prisão.
Na quinta-feira (5), em entrevista ao jornal The New York Times, o político afirmou que levaria os detalhes de sua fuga “para o túmulo” e voltou a contestar o resultado eleitoral, sem apresentar provas. Na conversa com Greenwald, ele negou ter recorrido aos governos argentino, norte-americano e israelense para viabilizar o deslocamento, e recusou-se a identificar os financiadores da viagem para evitar investigações sobre terceiros.
Mandato remoto e futuro político
Apesar de estar no exterior, o senador descartou a renúncia ao cargo, cujo mandato se encerra em janeiro de 2027. Ele garantiu que participará das atividades legislativas e votações de maneira remota, sempre que o regimento permitir, citando sua presença à distância durante a análise da PEC da Segurança Pública.
O político também informou que ainda não buscou contato com órgãos imigratórios norte-americanos para regularizar sua situação no país, assunto que deve ser analisado em breve.
Por fim, reforçou que não planeja retornar ao país enquanto avaliar que não existem garantias para um julgamento justo, reiterando acusações sem provas de perseguição por parte do ministro Alexandre de Moraes.






