O ex-candidato à Presidência do Paraguai Paraguayo Cubas, conhecido como Payo Cubas, foi hostilizado por manifestantes na noite de quinta-feira (5), em meio à crise política e bancária que atinge o país.
Registros em vídeo Vídeos que circularam no X, antigo Twitter, mostram o político sendo carregado e expulso das ruas por pessoas que participavam dos protestos. A reação também apareceu nas redes sociais, onde internautas ironizaram a recepção dada a Cubas e o acusaram de oportunismo.
“Ele jurava que seria bem recebido ali”, escreveu um usuário no X. Outro comemorou a expulsão do político, a quem chamou de vendido.
Contexto da crise econômica A hostilidade ocorre em um momento de forte insatisfação popular com a crise desencadeada pela liquidação do banco digital Ueno, que deixou milhões de clientes sem acesso aos próprios depósitos. O escândalo atingiu o governo de Santiago Peña, que foi acionista do grupo controlador da instituição até março de 2025, e levou à abertura de um processo de impeachment contra o presidente.
Trajetória de Cubas Cubas, por sua vez, tem uma trajetória marcada por controvérsias. Político de extrema direita e com discurso antissistema, ele ficou conhecido por declarações agressivas e episódios de violência durante sua passagem pelo Senado. Em 2019, perdeu o mandato após agredir um policial e fazer declarações contra brasileiros que vivem no Paraguai. Em 2023, disputou a Presidência pelo partido Cruzada Nacional e terminou em terceiro lugar, com 23% dos votos, atrás de Peña, eleito com 43%, e de Efraín Alegre, que recebeu 27%. Depois da derrota, contestou o resultado das eleições, alegou fraude sem apresentar provas e incentivou manifestações. Em maio daquele ano, foi preso preventivamente sob acusação de perturbação da tranquilidade pública.
O imbróglio financeiro A crise política no Paraguai começou após o Banco Central determinar, na terça-feira (3), a liquidação do banco digital Ueno. A instituição tinha cerca de 3 milhões de clientes e aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. O fechamento ocorreu depois que a autoridade monetária identificou insuficiência de recursos para cobrir as obrigações do banco, relacionada a empréstimos concedidos a empresas vinculadas à própria instituição.
O caso ganhou dimensão política porque o presidente Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até começo do ano passado. A oposição acusa o governo de possíveis conflitos de interesse, manipulação de regras e desvio de recursos previdenciários. Também questiona a atuação do Banco Central na fiscalização da instituição. Na quinta-feira (6), deputados aprovaram por unanimidade, com 78 votos, a abertura de um processo de impeachment contra Peña. O presidente chegou a anunciar sua renúncia, mas o Congresso não aceitou encerrar o processo dessa forma.






