O senador Flávio Bolsonaro (PL) negou ter acionado os governos da Argentina, dos Estados Unidos e de Israel para organizar sua saída do Brasil após a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao jornalista Glenn Greenwald, gravada em Miami, o parlamentar afirmou que não buscou autoridades estrangeiras e evitou revelar quem o auxiliou no deslocamento.
Viagem ao exterior e ordens judiciais A partida ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a entrega de seus passaportes e proibiu sua saída do território nacional. A decisão de viajar foi tomada em conjunto com sua esposa, Fernanda, após uma visita ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
O trajeto e os apoios contestados O congressista deixou o país em 27 de outubro de 2026 e desembarcou em Miami no dia seguinte, passando antes por Argentina e Equador, sem cumprir a determinação judicial. Questionado sobre contatos com representantes estrangeiros, o senador declarou: “Não falei com ninguém”.
A versão oficial do político contrasta com reportagens de veículos internacionais. Veículos como o The New York Times e o The Wall Street Journal apontaram que o jato utilizado teria sido viabilizado por Jason Miller, ligado à gestão de Donald Trump. O periódico argentino Clarín também registrou a presença de Santiago Caputo, assessor de Javier Milei, em Puerto Iguazú durante o trajeto. Em entrevista anterior ao jornal norte-americano, o senador já havia afirmado que levaria os detalhes de sua saída do Brasil “para o túmulo”.
Alegações de perseguição e contestação eleitoral Durante a conversa com o jornalista, o parlamentar reiterou que deixou o país por receio de ser preso e colocou em dúvida, sem apresentar evidências, a lisura do pleito vencido por Lula. Ao ser confrontado sobre a falta de provas, admitiu: “Não tenho”.
Ele informou que sua estratégia jurídica focará em contestar supostos abusos de poder da campanha adversária, e não em anular o pleito. Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, superando Flávio por mais de 4,4 milhões de sufrágios, com validação oficial do Tribunal Superior Eleitoral.
Planos futuros e atuação remota O senador afirmou que pretende avaliar sua situação migratória nos Estados Unidos e se sustentar com recursos próprios de sua atuação como empresário e advogado.
Por fim, garantiu que continuará exercendo o mandato de forma remota quando permitido, que não retornará ao Brasil enquanto temer uma prisão e que Jair Bolsonaro será seu candidato à presidência em 2030, caso recupere os direitos políticos.






