O deputado federal André Janones (Rede-MG) abriu os bastidores de sua atuação na corrida presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e revelou que abriu mão de voos comerciais para não perder o acesso à internet durante o período eleitoral.
Viagens terrestres pela conexão
Para se manter 100% conectado com as redes sociais, o parlamentar optou por percorrer longas distâncias por rodovias brasileiras em vez de voar pelo país.
“Eu tava rodando 2 mil quilômetros por semana de carro, porque eu não tava pegando avião pra não ficar sem internet”, afirmou Janones em entrevista ao Fantástico, exibida neste domingo (1º).
O poder do Exército do Lula
Responsável por impulsionar a mobilização digital da campanha petista, o deputado criou um canal em um aplicativo de mensagens apelidado de “Exército do Lula”. A iniciativa bateu a marca de 10 milhões de participantes nas últimas três semanas que antecederam o segundo turno.
Por meio dessa ferramenta, o político divulgava vídeos gravados em tomada única, sem repetições, comandando toda a estrutura diretamente da tela de seu próprio smartphone.
Uso intenso e repercussão internacional
Nos dias posteriores ao pleito, a rotina do parlamentar seguiu intensa, acumulando horas diárias dedicadas exclusivamente aos dispositivos móveis. Questionado pelo repórter Maurício Ferraz sobre a possibilidade de ficar longe do aparelho, ele foi direto:
“Não, não consigo”, respondeu Janones.
Ao verificar as estatísticas de uso, constatou-se uma média impressionante de 11 horas e 2 minutos de tela por dia. O sucesso da estratégia chamou a atenção de veículos estrangeiros renomados, como o jornal francês Le Monde e o britânico The Guardian.
“A repercussão internacional é a única coisa que não estava no meu radar”, afirmou.
O impacto foi tão grande que o deputado relatou ter recebido convites de autoridades da Alemanha, França, Itália, Espanha, Colômbia e da presidência do México.
Democracia mitigada
Apesar do alcance expressivo do canal, que sofreu uma leve queda de 200 mil inscritos logo após o encerramento da disputa, Janones admitiu que o formato centralizado de comunicação não reflete o cenário político ideal.
“É o que eu chamo de democracia mitigada. Não é a democracia no seu estado pleno. Não é a democracia que eu quero para o nosso país. Não é um modelo de democracia sustentável”, declarou, classificando a tática como uma medida de caráter transitório.
As plataformas Meta, Google e X foram acionadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) próximo ao fim da votação, mas não detectaram irregularidades na condução do grupo. Após o término da eleição e uma tentativa frustrada de descanso na praia no Rio de Janeiro, onde continuou conectado — “É a primeira vez, desde agosto, que eu parei pra descansar”, afirmou —, o deputado suspendeu a publicação de novas chamadas de mobilização.






