Home / Saúde / Saúde do DF: os desafios da gestão de Celina Leão no governo

Saúde do DF: os desafios da gestão de Celina Leão no governo

Falta de médicos, filas e mortes: os desafios de Celina Leão para a saúde pública do DF

Reeleita para comandar o Distrito Federal pelos próximos quatro anos, a governadora Celina Leão (PP) terá como uma de suas prioridades mais urgentes a reformulação da saúde pública local.

Crise estrutural e superlotação Nos últimos anos, a rede pública tem enfrentado cenários críticos com hospitais e Unidades de Pronto Atendimento abarrotados, além de filas extensas para procedimentos cirúrgicos. O momento mais grave ocorreu no primeiro semestre, marcado por uma série de óbitos em unidades de saúde que passaram a ser investigados sob suspeita de falha na assistência.

Diante do cenário, a administração reconheceu publicamente a deterioração da infraestrutura. Levantamentos baseados na Lei de Acesso à Informação revelaram que o pronto-socorro do Hospital Regional de Taguatinga operou acima da capacidade máxima por pelo menos um ano, com taxas de ocupação que ultrapassaram 250%. O quadro se repetiu nas UPAs, a exemplo da unidade de Ceilândia II, que atingiu uma marca de 400% de ocupação. Adicionalmente, o Mapa Social da Saúde aponta mais de 33 mil pedidos pendentes para cirurgias eletivas.

Investigações e o fator humano O período crítico de julho foi evidenciado por seis mortes em hospitais e UPAs que geraram protestos de familiares e suspeitas de negligência: Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, na UPA do Recanto das Emas; Luciana Ferreira, de 34 anos, que perdeu a primeira filha no parto; Maria Vitória, de 5 meses, após extubação acidental em transferência; Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, no Hospital de Samambaia; Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, na entrada do Hospital de Base; e Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, também no Hospital de Samambaia.

Questionado na época, o secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, classificou as ocorrências como episódios isolados. Por sua vez, a chefe do Executivo distrital pontuou sobre a necessidade de mudanças: “A gente não vai tolerar esse tipo de atendimento nos nossos hospitais. […] Eu tenho certeza que a gente precisa, realmente, melhorar. Há sim um sucateamento na falta de médicos na rede pública”, disse Celina Leão em julho de 2026.

Déficit de profissionais e remuneração A escassez de pessoal especializado também desafia a administração. Dados indicam falta generalizada de profissionais na rede, somando quase mil vagas em aberto em diversas especialidades. Processos seletivos recentes esbarraram na baixa adesão de candidatos, evidenciando a necessidade de reajustes salariais para tornar os postos mais atrativos.

Sobre a dificuldade de contratação, o secretário Juracy Cavalcante detalhou: “Nós temos buscado alternativas para a contratação de médicos. Para vocês terem ideia, no nosso concurso de ginecologia obstetrícia, nós chamamos todo o cadastro de reserva e não tivemos nenhum profissional para assumir. Nós sabemos que tem uma oportunidade de melhoria na questão da remuneração médica e isso o governo está estudando justamente para a gente ser mais atrativo”, afirmou na época.

A própria governadora reforçou que o reajuste nos vencimentos é fundamental para preencher cargos cruciais, detalhando medidas adotadas: “Eu preciso melhorar um pouco o salário porque, se não, eu não consigo contratar. Então, o Ministério Público acompanha isso passo a passo, tanto que eles nos deram uma excepcionalidade para contratar anestesistas por cooperativa. Se não, eu não teria uma anestesista hoje na rede”, explicou.

Promessas e o futuro da rede Para contornar os problemas, a gestão planeja entregar novas estruturas — incluindo hospitais regionais e unidades de pronto atendimento —, além de zerar filas de cirurgias por meio do programa Opera-DF e implementar ferramentas tecnológicas como o “Prontuário do Paciente”. Contudo, a eficácia dessas medidas dependerá diretamente da capacidade de superar gargalos históricos na gestão e na valorização das equipes.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *