Perfis em uma popular plataforma de vídeos curtos têm sido utilizados para promover organizações criminosas no Rio de Janeiro. Usuários desafiam as autoridades ao publicarem conteúdos nos quais jovens aparecem ostentando joias, armamentos pesados e fazendo referências ao universo do crime.
Transmissões ao vivo e apologia armada As transmissões ao vivo comandadas por suspeitos vêm ganhando destaque. Em uma live recente que alcançou quase 12 mil espectadores, o dono de um perfil declarou integrar o Terceiro Comando, exibindo um fuzil e fazendo ameaças a uma facção rival.
“Aqui é Terceiro Comando. Quem é do Terceiro vem com a gente! Cadê os menor (sic) do São Carlos? Nos vermelhos a gente atira”, repetia o dono do perfil.
Em outra conta, um jovem associado ao Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, exibe carros e motos de luxo enquanto veste camisas com alusões a lideranças do Comando Vermelho. Os espaços virtuais também reúnem áudios de assaltos e comentários de seguidores sobre veículos roubados.
Vitrine para crimes e carros clonados A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis já identificou pelo menos 21 contas usadas como vitrine para a venda de automóveis clonados. Veículos avaliados em mais de R$ 100 mil chegam a ser anunciados por valores expressivamente baixos, como R$ 8,5 mil. Além disso, criminosos já tentaram comercializar cédulas falsificadas em outras redes sociais.
Enquadramento legal Especialistas apontam que a divulgação desse tipo de material pode trazer sérias consequências jurídicas para os autores das postagens.
“A depender do conteúdo de cada vídeo, quem pratica essa conduta de divulgar mídias, de alguma forma exaltando a organização ou quem a ela pertence, assim como estimulando algum tipo de crime, pode responder por delitos como apologia ao crime, incitação ao crime ou até mesmo por promover organização criminosa, ou também promover ou apoiar organização criminosa ultraviolenta”, explica a advogada.
Posicionamento das plataformas e autoridades Em nota oficial, a Polícia Civil detalhou o andamento das investigações sobre a comercialização de veículos de origem criminosa, destacando a alta rotatividade das contas utilizadas pelos suspeitos e o cumprimento de mandados durante operações recentes.
Por sua vez, os responsáveis pelo aplicativo de vídeos informaram que contas que desrespeitam as diretrizes de segurança são banidas.
“As Diretrizes da Comunidade deixam claro que não permitimos conteúdos de glorificação da violência ou promoção de crimes que possam causar danos a pessoas, animais ou bens. A exemplo, é proibido na plataforma: promover ou glorificar a violência; compartilhar instruções sobre como cometer crimes que possam causar danos a pessoas, animais ou propriedade”, pontuou a empresa em comunicado.






