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Wall Street perde trilhões em um dia com tombo histórico de ações de IA

Wall Street perde trilhões em um dia: entenda o que derrubou as ações de IA

Os principais índices de Wall Street fecharão a última quinta-feira (5) em forte queda, pressionados diretamente pelas ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA). O movimento expressivo eliminou cerca de US$ 3 trilhões em valor de mercado apenas das companhias que compõem o índice S&P 500.

O impacto nos principais índices de tecnologia O Nasdaq Composite, focado em empresas de tecnologia, despencou 5,52% para encerrar aos 24.315 pontos, registrando a sua maior queda diária desde abril de 2025. O S&P 500 recuou 4,36% (7.353,73 pontos), ao passo que o Dow Jones caiu 3,44% (51.523,06 pontos).

Com esse resultado negativo, o Nasdaq entrou oficialmente em território de correção, acumulando uma baixa de quase 12% em relação ao recorde alcançado em 6 de outubro. As conhecidas “Sete Magníficas”, que incluem gigantes como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões — um montante superior ao próprio Produto Interno Bruto (PIB) da Suécia.

“Pensávamos que já havíamos superado as dificuldades após a recuperação do mercado no dia seguinte às eleições de meio de mandato, mas, de repente, isso se transformou em um verdadeiro banho de sangue em Wall Street”, afirmou Jose Torres, analista da Interactive Brokers, à AFP.

Reflexos imediatos nos mercados globais O forte tombo registrado nos Estados Unidos reverberou com força nas bolsas internacionais na sexta-feira (6). Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 caía 1,80% perto das 9h15, enquanto o DAX da Alemanha perdia 2,35%, o CAC-40 da França recuava 1,79% e o FTSE 100 do Reino Unido registrava baixa de 2,29%.

O cenário na Ásia foi ainda mais dramático, com bolsas fechando em forte queda. Na Coreia do Sul, o índice Kospi despencou 8,8% durante o pregão, acionando o mecanismo de circuit breaker que paralisou os negócios por 20 minutos. Ao final, a bolsa sul-coreana fechou em baixa de 6,02%, enquanto o Nikkei do Japão caiu 5,96%.

Por que a política americana afetou o setor A turbulência foi impulsionada pelo temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato resulte em regulamentações mais rígidas e freie a expansão dos centros de dados no país. Vários candidatos eleitos defenderam uma redução no ritmo dessas construções, enquanto moradores locais aprovaram restrições a novas instalações.

“O grande resultado das eleições foi, especialmente com os democratas conquistando muitos cargos de governador, que a desaceleração da expansão dos centros de dados é o verdadeiro tema-chave que vai perdurar”, afirmou Michael O’Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading, à Reuters.

Essas estruturas exigem enormes volumes de energia e água, gerando forte resistência comunitária.

“Haverá muita resistência em relação a esses centros de dados estarem localizados geograficamente no quintal de alguém, sobrecarregando a rede elétrica e os sistemas de abastecimento de água”, afirmou Bruce Zaro, diretor-gerente da Granite Wealth Management, à REuters

“Embora já existam vários centros de dados aprovados, ainda há muitos a serem licenciados. O caminho para a obtenção dessas licenças será difícil”, acrescentou.

Projeções e impactos na cadeia de suprimentos Analistas do UBS calculam que cerca de 30% do aumento previsto na capacidade dos centros de dados norte-americanos até 2028 corre riscos devido a possíveis paralisações. Qualquer entrave nessa infraestrutura compromete a demanda por chips, servidores e energia elétrica.

“Os investidores parecem estar reconhecendo que alguns membros recém-eleitos do Congresso e governadores pretendem desacelerar o ritmo do desenvolvimento da infraestrutura de IA”, afirmou Melissa Brown, diretora global de pesquisa de decisões de investimento da SimCorp, à Reuters.

“Quando surge qualquer dúvida sobre os investimentos em centros de dados, o mercado reage de maneira particularmente violenta”, disse Art Hogan, da B. Riley Wealth Management, à AFP.

Tombo nas fabricantes de chips e infraestrutura As produtoras de semicondutores lideraram as perdas, com o índice Philadelphia SE Semiconductor desabando mais de 12%. A Nvidia caiu cerca de 9%, perdendo cerca de US$ 400 bilhões em valor de mercado. AMD e Micron recuaram 17%, enquanto Broadcom e Intel perderam pouco mais de 10%. A Qualcomm tombou 9,5% pressionada também por perspectivas fracas para vendas de smartphones.

“Parece que estamos na fase de capitulação das ações beneficiadas pelos investimentos em centros de dados, especialmente as de semicondutores”, afirmou Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management, à Reuters. “Básicamente, acho que a magnitude desses movimentos é exagerada.”

Empresas de computação em nuvem focadas em IA, como IREN, Applied Digital e Cipher Digital, despencaram mais de 14%. A CoreWeave e a Nebius acumulam perdas superiores a 50% desde outubro.

Incertezas sobre custos e retorno financeiro O revés político funcionou como gatilho, mas o mercado já vinha demonstrando ceticismo quanto aos custos bilionários e ao retorno real dos investimentos em inteligência artificial, especialmente diante de juros mais elevados.

“O mercado está passando da promessa da IA para o preço da IA”, concluiu Ted Parkhill, fundador e presidente-executivo da Incline Investment Management, à Reuters. “Não há dúvida de que a IA será transformadora para o mundo no longo prazo. Mas isso não significa que todas as ações relacionadas à IA estejam atualmente avaliadas de forma adequada. Haverá muita turbulência.”

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