As ações de empresas globais ligadas à inteligência artificial enfrentam uma forte onda de perdas nos mercados internacionais. Na quinta-feira, o índice Nasdaq registrou uma queda de 5,52%, marcando seu pior desempenho desde abril de 2025, enquanto Wall Street fechou amplamente no vermelho com recuos expressivos no S&P 500 e no Dow Jones.
O impacto na Ásia No dia seguinte, a retração se espalhou pelos mercados asiáticos, afetando de maneira severa as bolsas do Japão e da Coreia do Sul. O índice sul-coreano Kospi chegou a despencar mais de 8% durante o pregão, acionando o mecanismo de segurança conhecido como circuit breaker por 20 minutos para conter o pânico. Fabricantes de chips e semicondutores essenciais para a infraestrutura tecnológica lideraram as baixas na região.
Eleições nos EUA e novas regras A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos adicionou instabilidade ao cenário, gerando temores sobre barreiras regulatórias para a construção de centros de dados. Como essas estruturas demandam enorme consumo de energia e recursos hídricos, o mercado passou a temer atrasos e restrições no licenciamento de novos projetos.
“A eleição americana não é a causa da queda. Ela foi o gatilho. O mercado de IA já vinha frágil”, afirma Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Cobrança por resultados financeiros Por trás da pressão vendedora está o volume massivo de capital investido por gigantes como Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet em infraestrutura de computação. Dados apontam que os desembolsos superaram a geração de caixa operacional em diversas companhias, elevando a preocupação de acionistas que exigem prazos claros para o retorno financeiro.
“O mercado continua confiante na demanda por inteligência artificial, como mostram os resultados crescentes da área de computação em nuvem. Mas os investidores passaram a cobrar mais das empresas: não basta anunciar grandes investimentos em IA, é preciso mostrar que eles estão se transformando em receita e, principalmente, em geração de caixa”, afirma Nickolas Lobo, especialista de investimentos da Nomad.
Emissão de dívidas e o risco de bolha Para sustentar o ritmo acelerado de expansão, algumas corporações recorreram à emissão de títulos de dívida, enquanto analistas avaliam se a euforia atual não gerou expectativas inflacionadas de valorização bursátil em relação aos lucros reais obtidos a curto prazo.
“A tecnologia é real, já está sendo utilizada e tem capacidade de transformar diversos setores da economia. O que considero exagerado são algumas expectativas de valorização”, conclui Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).






