O cenário político no Paraguai vive horas de extrema tensão nesta quinta-feira (5). O presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia ao cargo, decisão tomada pouco antes de a Câmara dos Deputados votar a abertura de um processo de impeachment contra ele. Em frente ao Congresso, manifestantes e forças policiais entraram em confronto, resultando em ao menos duas prisões, enquanto legisladores debatiam os desdobramentos da crise.
A instabilidade política e o impeachment A pressão contra Peña intensificou-se devido à sua ligação com o banco ueno, instituição financeira que entrou em colapso e deixou milhões de clientes sem acesso aos seus depósitos. A oposição argumenta que o presidente, ex-acionista do grupo que controla o banco, deve responder politicamente antes de qualquer tentativa de renúncia. O receio dos parlamentares contrários ao governo é que, ao deixar o cargo voluntariamente, Peña garanta o título de senador vitalício, o que lhe conferiria imunidade parlamentar e dificultaria investigações criminais.
A sucessão presidencial Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, a previsão é que o vice-presidente Pedro Alliana assuma a chefia do Executivo ainda hoje, às 18h. Na sequência, às 19h, o Congresso deve se reunir para eleger um novo vice-presidente. A sessão conjunta, convocada pelo presidente do Congresso, Basilio Núñez, segue em meio a um intenso debate jurídico sobre se o processo de impeachment deve ou não ser concluído antes da aceitação da renúncia.
O impacto da crise bancária A crise financeira que abalou o governo teve início com o fechamento do banco ueno, que detinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos, inclusive de verbas previdenciárias. Durante a sessão que discutia o impeachment, a deputada de oposição Rocío Vallejo criticou duramente a gestão do mandatário: “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”.
Em sua carta de renúncia, divulgada em vídeo, Peña justificou sua saída alegando buscar a tranquilidade nacional: “pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”. Ele completou: “Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai. Também quero pedir desculpas ao povo. Se em algum momento falhei, nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim”.
Em relação aos poupadores afetados pela liquidação da instituição financeira, Peña havia declarado anteriormente: “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”. Enquanto o país aguarda a transição de poder, a Justiça paraguaia já emitiu mandados de prisão contra executivos do banco e ordenou o bloqueio de bens de 27 pessoas envolvidas na gestão da entidade.






