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Mulher perde R$ 30 mil após golpe aplicado por engenheiro em app de namoro

'Ele era um amor', diz mulher que perdeu R$ 30 mil em suposto golpe após conhecer engenheiro em aplicativo de namoro

Uma moradora do interior de São Paulo relatou ter sofrido um prejuízo de R$ 30 mil após se envolver com Fernando Vasco Fernandes, de 38 anos, natural de Sertãozinho (SP). Conhecido em uma plataforma de relacionamentos, o suspeito se aproximava com promessas de casamento e planos para construir uma família, adotando um comportamento carinhoso que conquistava a confiança das vítimas.

Investigação policial e novas denúncias

O caso foi formalizado na Polícia Civil e também virou alvo de um processo judicial por suspeita de estelionato. Até o momento, ao menos cinco mulheres procuraram as autoridades para relatar situações semelhantes envolvendo o homem, que costumava se apresentar nas redes sociais exercendo as profissões de engenheiro agrônomo e fazendeiro.

Em Ribeirão Preto (SP), outra vítima calculou um rombo financeiro de R$ 26 mil. Ela afirmou ter concedido empréstimos via Pix e adquirido um aparelho celular de última geração avaliado em R$ 13 mil para o suspeito, que prometeu quitar as parcelas, mas não cumpriu o combinado.

Dinâmica do estelionato sentimental

A primeira denunciante guardou diversas gravações de áudio enviadas por Fernando durante o namoro. Nelas, o homem utilizava apelidos carinhosos enquanto pedia quantias variadas em dinheiro, que iam de R$ 250 para abastecer veículos até valores mais altos para suposta liberação de mercadorias. Os pedidos vinham acompanhados de promessas de encontros especiais caso ela conseguisse o montante solicitado.

"Ele era um amor. Ele falava tudo aquilo que a gente queria, né? Nós, como mulheres, queremos ouvir. Que era linda, que queria casar, que tinha o sonho de ter filhos e tudo isso. Todas as promessas que praticamente a gente quer ouvir na vida", relatou a mulher sobre a fase inicial do relacionamento.

Nas gravações obtidas durante a investigação, o tom afetuoso era evidente nos pedidos recorrentes de crédito:

"Amor, eu preciso de R$ 2 mil. Amor, eu acho que você não vai ter, mas você tem um trocado ainda? Você consegue uns R$ 2 pam para eu abastecer o carro?"

"Nossa, fala que tem, por favor. Se tiver, nós vamos fazer uma coisa muito, muito, mas muito especial nesse final de semana."

Falsos comprovantes e ameaças

Quando as vítimas começavam a exigir o reembolso dos valores emprestados, a postura do suspeito mudava drasticamente. Ele passou a inventar desculpas, alegando instabilidades bancárias que impediam as transferências. Para tentar sustentar a mentira, chegou a enviar imagens falsas de envelopes de depósitos em caixas eletrônicos.

"Quando foi para pagar, ele não conseguia pagar porque o banco não deixava. Ele até simulou que colocou dinheiro no banco, em caixas eletrônicos, e me mandou o envelope do que ele tinha colocado, entre aspas, o dinheiro, que nunca teve dinheiro lá. Então, assim, foi tudo planejado, foi tudo pensado", explicou a vítima.

Diante da insistência nas cobranças, as mulheres passaram a relatar episódios de grosseria e intimidação por parte do engenheiro, que enviava mensagens exigindo ser deixado em paz e fazendo ameaças veladas sobre o conhecimento de sua rotina e de seus familiares.

Impacto emocional e busca por justiça

A segunda vítima ouvida pela polícia acumulou dívidas significativas após recorrer a empréstimos com agiotas para cobrir os custos gerados pelo ex-companheiro, incluindo as prestações do smartphone comprado em seu próprio nome.

"Eu recebo um salário e desse salário eu tenho que tirar todo dia 20 a prestação do celular, que eu tenho que honrar, já que ele não está honrando. Fora as outras dívidas com agiotas, né, que é dele, mas foi tudo que eu peguei para ele, foi tudo no meu nome", desabafou.

Abalada psicologicamente pelo desgaste da situação, ela buscou apoio e decidiu expor o caso para alertar a sociedade. "Eu quero justiça e alertar outras pessoas para não cair nesse mesmo golpe e se prejudicar, como eu me prejudiquei financeiramente e mentalmente."

A reportagem tentou contato com a defesa de Fernando Vasco Fernandes, mas nenhum representante legal foi localizado até o momento. A equipe de jornalismo também esteve em um endereço associado a ele em Sertãozinho, porém o suspeito não foi encontrado no local.

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