Sete pessoas foram detidas na noite de 5ª feira (5.nov.2026) após atos de vandalismo contra uma unidade do Ueno Bank situada na área central de Assunção, capital do Paraguai. Durante os tumultos, um policial sofreu um ferimento na cabeça. Os episódios de violência aconteceram em meio aos atos públicos que exigem a destituição do presidente Santiago Peña, filiado ao Partido Colorado (direita), e apoiam o processo de impeachment em andamento.
Origem da crise e conflito de interesses
A revolta popular foi impulsionada pela falência da instituição financeira digital Ueno Bank, evento que bloqueou o dinheiro de mais de 2,9 milhões de correntistas — o equivalente a cerca de metade da população paraguaia — além de fundos pertencentes a órgãos públicos.
Peña assumiu a chefia do Executivo paraguaio em 2023 e manteve-se como acionista do Grupo Vázquez, controlador da empresa bancária, até março de 2025. Parlamentares da oposição apontam indícios de conflito de interesses, acusando o governo de alterar normas com o respaldo e o “acobertamento” do Banco Central do Paraguai.
A autarquia era chefiada por Carlos Carvallo até agosto de 2023, quando foi nomeado por Peña para o comando do BC, cargo que deixou em decorrência da instabilidade financeira.
Confrontos e detenções em Assunção
A escalada de tensão começou por volta das 23h, quando um grupo deixou as proximidades do Congresso Nacional — ponto de concentração dos manifestantes — e seguiu em direção às ruas Palma e Nuestra Señora de la Asunción. Na região, apedrejaram a fachada do banco e destruíram vidraças. O suboficial Néstor Damián Araujo Martínez, de 26 anos, foi atingido por um objeto sólido e precisou de atendimento médico no Hospital de Polícia.
Entre os sete detidos estão seis adultos de 18 a 28 anos e um adolescente de 17 anos, sendo que um dos maiores de idade possui antecedentes por furto. O comissário Humberto Franco informou que todos continuaram sob custódia na delegacia por suspeita de depredação de patrimônio privado e outras infrações durante os atos.
Segundo Franco, a calmaria retornou ao centro por volta de 0h45 desta 6ª feira (6.nov). Indagado sobre a possível infiltração de vândalos alheios ao movimento, o chefe policial relatou que alguns manifestantes apontaram que os responsáveis seriam elementos que chegaram ao local com propósitos distintos da mobilização.
Julgamento político no Congresso
O Congresso Nacional agendou para esta 6ª feira (6.nov.2026), às 10h, a segunda etapa das cinco sessões previstas para o julgamento político de Peña. Na ocasião, o governante ou sua defesa apresentarão os argumentos jurídicos. O trâmite no Senado teve início formal com o juramento do tribunal e a leitura da denúncia apresentada pelos promotores.






