O presidente da Argentina, Javier Milei, equiparou nesta quinta-feira (5) o socialismo ao fascismo durante os debates da Cúpula Ibero-Americana realizada em Madri, na presença do premiê espanhol Pedro Sánchez, com quem acumula sérios atritos políticos.
Discurso polêmico na Espanha O governante ultraliberal argentino discursou na sessão plenária do evento que reúne 22 países, na Galeria das Coleções Reais, espaço situado ao lado do Palácio Real.
“Essa equivalência entre socialistas e fascistas não é casual, eles compartilham o ódio pelo livre mercado, adoram a intervenção do Estado, estatizam empresas, regulam a economia, controlam os meios de comunicação e se dedicam a espalhar propaganda e doutrinação”, declarou o chefe de Estado sul-americano.
“O socialismo é fascista na política, e o fascismo é socialista na economia”, acrescentou Milei ao direcionar críticas contra as “agendas que se denominam progressistas e ganham espaço na Europa”. Há cerca de duas semanas, o presidente argentino havia chamado Sánchez de “ditador inadmissível” e “corrupto” na capital espanhola, além de instar os espanhóis “a tirar os socialistas a pontapés”.
Clima frio e ausências de peso Na chegada à cúpula — marcada pela ausência de diversos líderes latino-americanos, como o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a mexicana Claudia Sheinbaum —, Milei e Sánchez protagonizaram um aperto de mão frio e breve. O argentino faltou à abertura oficial na quarta-feira e ao jantar oferecido pelo rei Felipe VI, preferindo encontrar o aliado Santiago Abascal, líder da extrema direita espanhola, às vésperas das eleições gerais de 29 de novembro. Pesquisas indicam que a direita pode vencer o pleito, mas precisará de apoio extremista para governar.
O evento conta com a presença de outras figuras da direita latino-americana, a exemplo do chileno José Antonio Kast, da costa-riquenha Laura Fernández, do boliviano Rodrigo Paz e do hondurenho Nasry Asfura.
Respostas e apelo à harmonia Pedro Sánchez reagiu anteriormente declarando-se um “zurdo” e apontando que “as motosserras e os cortes drásticos (…) não constroem nada, apenas destroem”. Em sua fala inicial no plenário desta edição, o premiê espanhol evitou citar nominalmente Milei, mas pontuou que a região aposta “no diálogo, em um tempo em que alguns pretendem reduzir as relações internacionais à força e à subordinação” e “na cooperação diante daqueles que defendem o isolamento e também o unilateralismo”.
Para evitar maiores conflitos no bloco formado por 19 nações latino-americanas, Espanha, Portugal e Andorra, o rei Felipe VI pediu uma atuação conjunta e harmônica, evitando “22 vozes dissonantes”. O histórico recente entre Buenos Aires e Madri inclui uma crise diplomática em 2024, quando o argentino chamou de “corrupta” a esposa do premiê espanhol. Conforme visitas anteriores, Milei não terá agendas oficiais com o monarca ou com o chefe de governo da Espanha.
Surpresa de Zelensky A passagem de líderes por Madri também incluiu a chegada surpresa do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, na quarta-feira. O mandatário ucraniano buscou apoios em conversas com Sánchez e outros representantes presentes, visando preparar terreno para as negociações entre Kiev, Moscou e Washington agendadas para os dias 10 e 11 de novembro nos Emirados Árabes Unidos. Zelensky, que passou por Berlim na terça-feira, manifestou expectativa de que as tratativas abram caminho para uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin.






