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Enterro de médica assassinada em Brasiléia é marcado por comoção

Médica assassinada a tiros é enterrada com cortejo e homenagens no Acre: 'Sentimento de injustiça'

O corpo da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, foi sepultado nesta quarta-feira (4) no Cemitério São João Batista, em Brasiléia. A cerimônia de despedida foi acompanhada por uma multidão de amigos, familiares e moradores da região, que se uniram em um cortejo marcado por profunda emoção e pedidos de justiça pelo assassinato da profissional, ocorrido em um estabelecimento comercial da cidade.

Homenagens e despedida no Alto Acre

Antes do sepultamento, um culto fúnebre celebrou a memória da médica, reconhecida por sua atuação dedicada em unidades de saúde locais. Durante o percurso pelas ruas da cidade, o cortejo fez uma parada emocionante em frente ao Hospital Regional do Alto Acre. Colegas de profissão soltaram balões brancos em um gesto simbólico de saudade e reconhecimento ao legado de Elyne.

O clamor por justiça dos familiares

O médico Francisco Nogueira, ex-marido da vítima, expressou a revolta diante da falha na proteção da médica. Ele destacou que Elyne buscou amparo legal diversas vezes, sem sucesso. “Muita tristeza, inicialmente, indignação pelo acontecimento. Indignação por ela não ter sido protegida quando ela precisou, por não ter tido a justiça que ela necessitava e a proteção do Estado. Ela foi atrás de todas as medidas legais possíveis. Ela iniciou no Ministério Público, depois buscou um advogado particular porque o Ministério Público não conseguia ir além. Buscou a medida protetiva duas vezes e a Justiça negou as duas vezes. Então o sentimento que fica é muita indignação, raiva e o desejo de justiça”, afirmou.

O tio da vítima, Gilson Rabelo, também relembrou a vocação da sobrinha para o cuidado com o próximo. “Ela não merecia ser executada porque era uma pessoa muito boa, muito maravilhosa, gostava de ajudar as pessoas. Ela atendia crianças, atendia os idosos. E onde ela passava, ela deixava bons rastros. Quando ela saía dos postos, os funcionários ficavam chorando porque muitas vezes ela dizia: ‘Tio, eu tenho que atender 12 ou 15 fichas. Mas como eu trabalho na zona rural, eu tô atendendo até 25 fichas por dia, porque eu não aguento ver as pessoas pobres virem das suas colônias e voltar sem ser atendidas’”, disse.

Investigação sobre o feminicídio

O principal suspeito do crime é o ex-namorado da médica, o advogado e procurador do município, Francisco Valadares Neto. O homem, que utilizava tornozeleira eletrônica, foi encontrado desacordado em sua residência um dia após o crime e precisou ser transferido para Rio Branco. O caso é tratado pela Polícia Civil como feminicídio.

A nutricionista Janilda Moraes, colega de trabalho, resumiu o sentimento de quem convivia com a vítima: “É um sentimento de muita tristeza. […] Falar da Elyne é falar de qualidades, é falar de humanização, é falar de uma profissional dedicadíssima e cheia de sonhos, cheia de projetos, e infelizmente esses sonhos foram interrompidos dessa forma. Ficamos aí com sentimento de injustiça, de indignação por conta desse acontecimento”.

Embora o Tribunal de Justiça do Acre tenha decretado a prisão preventiva do suspeito após o crime, o Judiciário afirmou, em nota, que as decisões anteriores que negaram os pedidos de prisão do Ministério Público foram fundamentadas, ressaltando que as medidas protetivas concedidas à médica continuavam vigentes à época dos fatos.

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