O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central optou por manter a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 13,75% ao ano. A deliberação foi anunciada após o encerramento da reunião de dois dias realizada pelo colegiado.
Motivos para a manutenção da Selic
A escolha de paralisar o ciclo de redução dos juros ocorreu em um contexto marcado pela aceleração inflacionária, pelo encarecimento das projeções de preços para os próximos anos e por incertezas ligadas à política fiscal, ao mercado de câmbio e ao encarecimento do petróleo. O veredito foi tomado de forma unânime pelos 7 membros do comitê, embora o comunicado oficial não tenha trazido prazos ou pistas sobre a retomada futura dos cortes.
Projeções e desancoragem da inflação
O Banco Central revisou para cima suas estimativas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), alertando que tanto a inflação acumulada quanto as médias das medidas subjacentes superaram o teto do intervalo de tolerância da meta. As projeções coletadas pelo mercado financeiro por meio da pesquisa Focus também se distanciaram da meta de 3%, apontando índices de 5,2% para 2026 e 4,8% para 2027. Já no modelo de referência do próprio Copom, o IPCA projetado atingiu 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027, com a estimativa para o segundo trimestre de 2028 estacionando em 3,5%.
Incertezas fiscais e câmbio
Além dos choques de oferta vindos do mercado internacional de petróleo, o colegiado apontou forte preocupação com o comportamento das contas públicas e com a taxa de câmbio.
“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, afirmou o órgão em nota oficial.
Outros fatores de risco mencionados incluem o consumo estimulado, a persistência da inflação no setor de serviços e a desancoragem das expectativas de longo prazo, o que encarece o controle monetário.
Cenário internacional e atividade econômica
No âmbito externo, o ambiente se mostrou desafiador devido aos conflitos no Oriente Médio e à postura contracionista mantida pelas economias avançadas. Em contrapartida, a atividade interna tem apresentado uma desaceleração mais acentuada, concentrada em setores que dependem diretamente do crédito e dos juros. Embora o mercado de trabalho mostre resiliência, já exibe sinais moderados de perda de dinamismo.
O comitê reforçou que o patamar atual da taxa de juros permanece contracionista para conter a demanda agregada e trazer o índice de preços de volta ao patamar desejado.
“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou.






