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Planalto aposta em congresso democrata nos EUA para conter Trump

Planalto conta com novo Congresso dos EUA como freio a Trump

O Palácio do Planalto aposta que o Congresso de maioria democrata, eleito na 3ª feira (3.nov.2026), vai funcionar como freio a Donald Trump (Partido Republicano) na América Latina. A gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), contudo, não projeta um impacto imediato sobre o chamado tarifaço comercial, pauta que permanece sem nenhuma proposta formal de acordo vinda de Washington.

Mudança na correlação de forças em Washington

Com a conquista da maioria na Câmara e no Senado dos Estados Unidos pelos democratas, autoridades do governo brasileiro identificam inclusive o risco de abertura de processo de impeachment contra Trump. Auxiliares do presidente avaliam que a nova configuração legislativa tem potencial para conter iniciativas do republicano na região e fortalecer o Brasil em discussões cruciais, a exemplo da regulação das big techs e da preservação do meio ambiente.

O cenário também impacta diretamente a articulação internacional do bolsonarismo, que sai visivelmente enfraquecida. Nomes republicanos próximos a Eduardo Bolsonaro (PL), como a deputada Maria Elvira Salazar, tendem a encontrar barreiras maiores para fazer avançar propostas direcionadas contra integrantes do Judiciário brasileiro, reduzindo o espaço político para a direita do país no exterior.

Repercussão política e fortalecimento interno

Aliados do Planalto interpretaram o resultado das eleições norte-americanas como uma vitória política expressiva. O deputado André Janones (Rede-MG), coordenador do canal “Exército do Lula” durante a campanha, apontou uma influência direta do cenário nacional no pleito dos EUA. Na mesma linha, a deputada Duda Salabert (PDT-MG) enfatizou a alteração na correlação de forças e a expressiva reação eleitoral contra a direita radical.

Para o governo brasileiro, a relação bilateral é dividida em dois momentos distintos: o pleito interno e a votação americana. A tese vigente é de que o Brasil ocupa agora uma posição de força, dispensando qualquer necessidade de defender o resultado das urnas brasileiras, chancela já consolidada por diversos partidos, pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pela OEA (Organização dos Estados Americanos) e pelo Centro Carter.

Impacto limitado nas negociações comerciais

Apesar das mudanças políticas, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, declarou ao Poder360, na 3ª feira (3.nov.2026), que o resultado das “midterms” não muda “absolutamente nada” nas negociações com os EUA. Embora os democratas oponham-se a Trump e possam barrar novos atos hostis, o cenário prático das tarifas segue inalterado.

A disputa tarifária teve início em 2025, quando o governo norte-americano determinou taxas sobre produtos brasileiros, gerando um impasse que passou a envolver a OMC (Organização Mundial do Comércio) e discussões sobre comércio digital, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Agenda internacional e próximos passos

As conversas formais entre os dois países foram retomadas em 31 de agosto, mas estão estagnadas desde o final de setembro, sem que o USTR tenha enviado a promessa de termos acordados. O tema adquiriu forte tom político após o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmar que o Brasil “não negociou de boa-fé”.

Diante desse tabuleiro geopolítico, a agenda internacional de Lula inclui viagens à Turquia e às Filipinas, além da participação na cúpula do Mercosul em Montevidéu e na reunião do G20 nos Estados Unidos, evento que poderá marcar um encontro direto entre o líder brasileiro e Donald Trump.

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