Home / Economia / Dólar cai a R$ 5,45 com exterior favorável e cautela fiscal no Brasil

Dólar cai a R$ 5,45 com exterior favorável e cautela fiscal no Brasil

Dólar recua a R$ 5,45 com alívio externo

O dólar à vista fechou em queda nesta quarta-feira (04), cotado a R$ 5,4518, o que representa um recuo de 0,65%. A desvalorização da moeda americana ocorreu após três sessões consecutivas de alta, movimento que havia levado a cotação ao maior patamar de encerramentos do ano na véspera, influenciada diretamente pelo cenário internacional.

Cenário externo e oscilações do dia

No mercado doméstico, a cotação oscilou durante a tarde e atingiu a máxima de R$ 5,4985 antes de firmar trajetória de baixa. No acumulado de novembro, o câmbio registra alta de 0,14%, após disparar 9,04% no final de outubro, maior salto semanal desde a crise financeira global de 2008.

O comportamento global da divisa dos Estados Unidos foi moldado pela vitória do Partido Democrata nas eleições parlamentares de meio de mandato, fato visto como um freio ao voluntarismo do presidente Donald Trump e um possível facilitador para a resolução do conflito com o Irã. Além disso, a queda superior a 8% no preço do petróleo durante a tarde ajudou a reduzir a percepção de risco.

Cautela com a economia interna

Apesar do alívio externo, o real teve ganhos modestos em comparação com outras moedas de países emergentes. A explicação está na postura de cautela dos investidores, que aguardam definições sobre a política econômica do Lula 4 e a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).

Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, destaca que o debate em torno da proposta do economista André Lara Resende — um dos arquitetos do Plano Real —, que sugere conter o endividamento público cortando fortemente a taxa Selic, aumenta o peso da decisão do Copom. A ideia já foi descartada pelo atual ministro da Fazenda, Dario Durigan.

“O mercado vai se assustar se o Copom continuar a cortar os juros mesmo com a alta do dólar e a piora das expectativas de inflação. O mais recomendável é adotar uma pausa agora, já que há muita dúvida sobre o compromisso do governo com um ajuste fiscal”, afirma Galhardo.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, reforça que a expectativa por anúncios fiscais e pelo nome do novo comandante da Fazenda limitou o fôlego do real. “A cautela ainda predomina, com o mercado à espera das medidas de ajuste fiscal e do nome do novo ministro da Fazenda. Isso impediu um alívio mais expresso do real, que não conseguiu acompanhar os pares”, afirma a especialista.

Fluxo cambial e balanço externo

O Banco Central divulgou que o fluxo cambial da semana passada fechou positivo em US$ 4,498 bilhões, impulsionado por entradas de US$ 6,427 bilhões no segmento comercial e US$ 3,070 bilhões no canal financeiro.

Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, avalia que o resultado comercial indica que “os exportadores aproveitaram a forte desvalorização cambial para internalizar recursos”. Sobre o canal financeiro, o economista aponta que o saldo positivo “pode ter refletido, ao menos parcialmente, o interesse de estrangeiros em aproveitar a desvalorização dos ativos domésticos”.

Goldenstein também pontua os motivos por trás da disparada anterior da moeda: “A forte depreciação do real na semana passada parece ter refletido, principalmente, o aumento dos prêmios de risco, a desmontagem de posições ‘compradas’ na moeda brasileira no mercado de derivativos da B3 e a maior demanda por proteção cambial”.

Para fechar o cenário, informações de bastidores indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve realizar um pronunciamento em cadeia nacional no fim de semana para reiterar a responsabilidade fiscal, mesmo mantendo promessas de campanha que exigem maior gasto público, fator que também colaborou para aproximar o dólar das mínimas no período da tarde.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *