O governo de Donald Trump ajudou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a entrar nos Estados Unidos, segundo reportagem do The New York Times publicada nesta quinta-feira, 29. Jason Miller, funcionário de comunicações da Casa Branca, providenciou o jato executivo que levou o parlamentar a Miami.
Viagem após ordem do STF
O senador desembarcou em Miami por volta das 10h de quarta-feira, depois de Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a retenção de seus passaportes e proibir sua saída do Brasil. Flávio, a mulher e as duas filhas embarcaram na Argentina e fizeram escala no Equador antes de seguir para os EUA. As autoridades ainda não identificaram como ele deixou Brasília, onde foi visto pela última vez na segunda-feira 26, rumo ao país vizinho.
Situação jurídica e permanência
Embora responda a dois inquéritos, Flávio não tem nenhuma condenação nem é considerado foragido. Seu foro privilegiado termina com o mandato, no início de 2027. Flávio permanece na Flórida com autorização temporária concedida por ordem direta de Trump. Fontes do governo norte-americano disseram ao jornal, porém, que ele poderá obter residência permanente. Seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, vive no país desde fevereiro de 2025 e recebeu o green card em julho deste ano.
Repercussão política
Depois de disputar a Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio contestou o resultado das urnas em carta divulgada ao chegar aos EUA. No texto, declarou-se o “verdadeiro presidente”, mas, sem seguida, corrigiu o documento e se apresentou como líder do Brasil.
Logística do voo e reação oficial
De acordo com o NYT, a família fez todo o percurso aéreo no jato obtido por Miller. Segundo uma pessoa a par do caso, Eduardo intermediou a operação, executada logo depois da ordem judicial para entregar os passaportes. Até o momento, Miller não se manifestou. A Casa Branca, por outro lado, mencionou declarações públicas de Trump, afirmando que Flávio era bem-vindo ao país, mas não comentou o uso da aeronave.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA informou que os agentes seguiram os procedimentos regulares de imigração antes de liberar a família. Ainda segundo o jornal, uma autoridade norte-americana confirmou que o governo concedeu à família admissão condicional, conhecida como “parole”. As regras de imigração preveem essa autorização “por razões humanitárias urgentes ou por benefício público significativo”. O senador planeja solicitar residência permanente.






