O grave acidente aéreo envolvendo a aeronave Fokker 100 da TAM atinge a marca de três décadas neste sábado (31). A catástrofe aconteceu em 31 de outubro de 1996, quando o avião despencou poucos segundos após levantar voo do Aeroporto de Congonhas, localizado na zona sul da capital paulista, atingindo edificações na Rua Luís Orsini de Castro.
Investigação e causas da queda A aeronave realizava uma rota com destino ao Rio de Janeiro e transportava 96 ocupantes, entre passageiros e tripulantes, sem sobreviventes. Além disso, três pessoas que estavam em solo perderam a vida no impacto, que ocorreu aproximadamente 24 segundos após a decolagem, de acordo com os dados oficiais do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
O relatório técnico apontou que o desastre foi desencadeado pela ativação não intencional do reversor da turbina direita durante o procedimento de subida. O componente, projetado para auxiliar na frenagem no momento da aterrissagem, acionou-se justamente quando o avião necessitava de potência e sustentação máximas.
Falta de treinamento e impactos estruturais Essa falha mecânica desestabilizou o veículo, que guinou para a direita e colidiu com imóveis residenciais. Conforme as apurações da época, os tripulantes não possuíam capacitação específica para contornar uma ocorrência dessa natureza, classificada como altamente incomum, e nenhum indivíduo acabou responsabilizado judicialmente pelo episódio.
Novas diretrizes para o setor aéreo Além das perdas humanas, o episódio impulsionou transformações significativas no modo como a aviação comercial brasileira gere crises e presta suporte aos entes queridos dos afetados. No ano seguinte, em 1997, parentes fundaram a Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa), entidade fundamental para a criação de obrigatoriedades de amparo por parte das empresas aéreas.
Dor e preservação da memória Três décadas mais tarde, o impacto emocional permanece vivo entre os familiares. Sandra Assali, presidente da Abrapavaa, perdeu o esposo, o médico cardiologista José Rahal Abu Assali, passageiro daquele voo.
“O luto é permanente”, afirmou.
“A perda de alguém sempre marca. Você lembra o momento em que você recebeu essa notícia. Imagine então para um familiar. Para mim, a memória que eu tenho foi de ter deixado o meu marido no aeroporto e, em questão de 40 minutos, já tive a confirmação da perda dele”Sandra Assali
Posicionamento oficial da companhia Em nota oficial, a Latam Airlines Brasil, sucessora da antiga empresa, expressou solidariedade aos afetados e enfatizou que prestou suporte desde o início. A companhia reforçou que os fatores determinantes foram elucidados pelo órgão aeronáutico competente.
“A empresa informa que as causas do acidente foram esclarecidas em relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), publicado em 1997. O documento incluiu recomendações necessárias sobre mudanças em procedimentos adotados pela companhia na época, além de solicitar modificações técnicas à fabricante da aeronave, cujo modelo deixou a frota em 2008″Nota da Latam






