As previsões alarmistas sobre o chamado “Super” El Niño não se confirmaram no final do inverno e início da primavera, trazendo um cenário oposto ao esperado com chuvas abundantes que favorecem o abastecimento hídrico e a geração de energia no país.
Recuperação expressiva dos reservatórios paulistas
Na Grande São Paulo, outubro registrou volumes expressivos de 216 mm de chuva, superando com folga a média histórica de 112 mm. O Sistema Cantareira ultrapassou 190 mm acumulados e opera com mais de 50% de sua capacidade total.
Com essa guinada, o Sistema Integrado Metropolitano superou 61% de sua capacidade. O manancial Alto Tietê opera acima de 60%, enquanto o Guarapiranga e o Rio Grande atingiram 95% e 99%, respectivamente. Devido a essa melhora, os órgãos gestores ANA e SP Águas reclassificaram a rede para a Faixa 2, encerrando o estado de alerta.
Queda na conta de luz e cenário na agropecuária
O volume de água nas bacias hidrográficas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste fez a afluência para as hidrelétricas do Sudeste fechar o mês 152% acima da média histórica. Como os reservatórios encerraram outubro acima de 55% da capacidade, a Aneel determinou o retorno da bandeira tarifária verde, eliminando taxas extras na conta de luz e reduzindo o uso de termelétricas.
No setor agrícola, a cana-de-açúcar sofreu interrupções na colheita por causa da intensidade das chuvas, embora os canaviais jovens tenham se beneficiado. Por outro lado, o excesso de umidade e a baixa insolação prejudicaram hortaliças e comprometeram a qualidade do trigo paulista.
Em contrapartida, Mato Grosso registra plantio de soja adiantado com mais de 60% da área prevista semeada com sucesso. No Matopiba, as precipitações se espalharam, contiveram queimadas e deram início ao plantio de soja e milho. Dados da Conab e de consultorias privadas indicam que o plantio de soja no Brasil alcançou 45% da área total, superando os 35% do mesmo período do ano passado.
Apesar do clima continuar sendo uma variável incontrolável e frequentemente utilizado para justificar oscilações econômicas, a agricultura moderna demonstra resiliência. Questões econômicas como juros, dólar e crédito representam riscos maiores ao setor do que as incertezas meteorológicas.






