A gigante das criptomoedas Binance afirmou na quinta-feira (29/10) que US$ 6,3 bilhões (R$ 33 bilhões) em ativos digitais foram afetados pelo que se acredita ser o maior ataque hacker a criptomoedas da história.
Investigação preliminar aponta falha de segurança O co-CEO da Binance, Richard Teng, disse que uma investigação preliminar da empresa indica que o ataque começou com o laptop de um engenheiro que foi comprometido. As primeiras checagens de segurança feitas pela corretora indicam que o incidente pode ter envolvido o computador, permitindo que um hacker fizesse saques não autorizados.
“Isso deu ao invasor acesso a um ambiente de serviço, onde ele enviou transações de saque não autorizadas”, disse ele em um comunicado.
“Para que fique claro: o hacker não se limitou a usar as permissões de um único engenheiro, e não se tratou de uma ação simples de “um clique”. Tudo envolveu um processo de ataque mais complexo. Nossa investigação não atribuiu responsabilidade a nenhum indivíduo. Até o momento, não encontramos nenhuma evidência de vazamento da chave privada da carteira.”
Recuperação de ativos e suspensão de saques A maior corretora de criptomoedas do mundo afirmou que cerca de metade desses ativos foram congelados, mas que muitos permanecem em poder dos hackers, acrescentando que “cobrirá todas as perdas”. Nesta sexta-feira (30/10), a Binance informou que começou a recuperar os ativos afetados dos usuários, em publicação no X.
A empresa disse estar trabalhando com as autoridades e outros parceiros para “rastrear, congelar e recuperar fundos adicionais”. A companhia reiterou que “já se comprometeu publicamente a cobrir as perdas por meio de recursos próprios”.
A Binance informou que já reservou mais de US$ 6,3 bilhões — o mesmo montante que foi roubado no ataque — para cobrir o incidente. Desse total, US$ 5 bilhões “já estão alocados nos mesmos ativos (tokens) que foram afetados”.
A empresa informou ainda que está concluindo a aquisição do valor restante por diferentes canais.
“Essa etapa pode levar mais tempo”, diz a companhia, acrescentando que compartilhará atualizações sobre o progresso “assim que possível”.
Ela explicou, ainda, que esses valores não incluem ativos que foram congelados, os quais “continuam passando por processos de recuperação e verificação”. Anteriormente, a empresa havia informado que US$ 3 bilhões tinham sido congelados.
Os saques foram temporariamente suspensos. A empresa disse na manhã desta sexta-feira que trabalha para normalizar os saques em 45 horas.
Em uma série de publicações, Yi He, co-CEO da Binance, agradeceu a vários emissores de criptomoedas pelo congelamento dos ativos.
“Segurança em primeiro lugar: os saques estão temporariamente suspensos até que se confirme a segurança do ambiente”, disse ela.
Conexões com a Coreia do Norte e impacto no mercado Duas empresas de análise atribuíram o incidente — que supera o ataque recorde de US$ 1,5 bilhão à corretora Bybit em 2025 — a um grupo de hackers da Coreia do Norte chamado TraderTraitor. A empresa de cibersegurança Check Point afirmou que o grupo também é conhecido no setor como Lazarus Group, responsável pelo ataque cibernético de 2025.
O diretor de segurança da informação da Check Point, Jayant Dave, afirmou que as perdas estimadas pela Binance tornam este o “maior roubo de criptomoedas da história”.
A empresa de investigações baseadas em inteligência artificial TRM Labs afirmou em um relatório que vários elementos do ataque à Binance se assemelham a incidentes anteriores ligados à Coreia do Norte, incluindo o ataque à Bybit. Ari Redbord, chefe global de políticas do laboratório, disse à BBC que o ataque à Binance é um momento sem precedentes na indústria. Segundo ele, os esforços para rastrear e recuperar os fundos estão longe de terminar.
A Chainalysis, uma empresa de análise de criptomoedas, também afirmou ter “alto nível de confiança” de que o grupo norte-coreano TraderTraitor está ligado ao ataque cibernético. Eric Jardine, chefe de pesquisa da Chainalysis, alertou todas as corretoras para que permaneçam vigilantes, pois as plataformas são alvos atraentes para hackers devido ao alto valor dos ativos.
Outras duas grandes plataformas de criptomoedas, Tether e Circle, disseram ter congelado um total de cerca de US$ 2,4 bilhões em ativos em resposta ao potencial ataque hacker à Binance. A World Liberty Financial, empresa de criptomoedas ligada ao presidente dos EUA, Donald Trump, e sua família, afirmou ter trabalhado com seus parceiros para congelar os fundos roubados.
O Bitcoin caiu mais de 4% após os alertas. O preço de outras criptomoedas importantes, incluindo Ethereum e Solana, também caiu acentuadamente. Fundada na China em 2017, a Binance tem mais de 300 milhões de usuários registrados e mais de US$ 160 bilhões em ativos sob custódia.






