O fenômeno climático el niño tem potencial para alcançar a categoria “muito forte” entre os meses de novembro de 2026 e janeiro de 2027, conforme aponta o quinto boletim do Painel El Niño publicado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em outubro. O documento técnico sinaliza que esta pode ser a manifestação mais intensa do evento desde 1950, impulsionada por anomalias térmicas na superfície do mar que superaram os 3°C nas regiões central e oriental do Pacífico, de acordo com registros da NOAA de 26 de outubro.
Monitoramento climático conjunto
O relatório meteorológico é desenvolvido de maneira colaborativa por diferentes órgãos federais, englobando o Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam. As análises técnicas apontam que o aquecimento das correntes marinhas deve se manter ativo pelo menos até o término do primeiro trimestre de 2027, influenciando diretamente o regime de precipitações e as médias térmicas em território nacional.
Impactos nas regiões brasileiras
Para o trimestre que abrange novembro a janeiro, o prognóstico aponta probabilidade elevada de volumes de chuva acima da média histórica no Sul, além de trechos do Sudeste e do Centro-Oeste. Em sentido oposto, a projeção aponta precipitações inferiores ao padrão climatológico em grande parte da Região Norte e em zonas específicas do Nordeste e do Centro-Oeste. Os termômetros devem registrar marcas superiores à média em quase todo o país, com exceção do Rio Grande do Sul, onde a previsão aponta temperaturas abaixo do padrão habitual.
Avanço da seca e riscos de queimadas
Os impactos da estiagem já se refletem no território nacional. Entre agosto e setembro, a porção do Nordeste afetada por seca grave expandiu-se de 16% para 28%, enquanto no Norte a proporção duplicou, saltando de 4% para 8%. O cenário de precipitações escassas aliado ao calor intenso acelera a perda de umidade do solo. Na Amazônia Legal, os registros de focos de incêndio somaram 6.542 em agosto, 12.659 em setembro e atingiram 11.662 ocorrências em outubro até o dia 23. Embora o avanço da estação chuvosa deva desacelerar as ocorrências em novembro, a influência do fenômeno climático pode retardar essa trégua.
Municípios em alerta para fogo e cheias
Diante do prognóstico trimestral emitido pelo Cemaden, 307 cidades encontram-se em patamar de alerta elevado para incêndios, enquanto 464 municípios enfrentam riscos de queimadas entre novembro e janeiro. Em contrapartida, os três estados sulistas mantiveram-se livres de seca pela segunda vez consecutiva, embora o volume excessivo de chuvas tenha provocado elevação dos níveis fluviais e transbordamentos. Estações meteorológicas do Médio Uruguai superaram cotas de alerta, e rios expressivos no Rio Grande do Sul, a exemplo das bacias do Caí e do Taquari, provocaram inundações em áreas urbanas.
Recomendações e orientações de segurança
O cenário sazonal aponta vazões superiores à média e ampliação do risco de alagamentos em todo o Sul, em trechos do Sudeste e na calha do alto rio Paraguai, com potencial agravamento em janeiro nas bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul. Como medida preventiva, as instituições científicas aconselham a vigilância constante sobre as atualizações meteorológicas e hidrológicas. A Defesa Civil orienta os cidadãos a manterem os cadastros atualizados para o recebimento de avisos de risco e a identificarem as áreas vulneráveis em seus bairros e municípios.






