O domingo (25) foi marcado por queima de fogos e celebrações populares nas ruas de Piraporinha, localizada na Zona Sul de São Paulo, logo após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
Recorde de votação na capital
O bairro consolidou-se como a região com maior proporção de votos para o petista entre todas as zonas eleitorais da capital paulista, alcançando 67,01% dos votos válidos. O senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal oponente, ficou com 32,99%. A preferência pelo candidato já havia ficado evidente no primeiro turno, ocasião em que ele obteve 57,57% da preferência local.
O histórico de forte apoio ao atual presidente na localidade não é recente. Em 2022, após superar Jair Bolsonaro (PL), a região já havia tomado as ruas para comemorar, cenário que se repetiu com ainda mais intensidade neste pleito.
Reações e expectativas dos eleitores
Entre os moradores que festejaram o resultado estava o aposentado Pedro Ferreira Lima, que relatou incerteza antes da apuração oficial mas muita alegria com o desfecho.
“Bastante movimentação, bastante comemoração. Todo mundo gostou aqui do bairro”, disse ao g1.
O morador declarou expectativa de que o novo mandato supere a gestão anterior, trazendo melhorias para os próximos quatro anos.
Diversidade de opiniões na periferia
A jovem aprendiz Sabrina Pascoal destacou que sua escolha refletiu a percepção de representatividade diante do cenário político atual.
“Eu sou periférica, sou mulher. É como se ele olhasse mais para a minha situação do que o outro candidato”, afirmou.
Por outro lado, o voto nem sempre esteve atrelado ao alinhamento ideológico. O agente da Polícia Judicial Marco Aurélio Queiroz admitiu surpresa com o índice alcançado, pois estimava um cenário diferente com base nas pesquisas, e revelou que sua escolha foi estratégica para barrar o adversário, além de citar divergências com o PL sobre pautas do funcionalismo público federal.
“Não gosto do PT, mas votei no Lula para não entrar o Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Ele espera que a nova gestão federal avance em pautas como a segurança pública e a revisão de reajustes salariais para os servidores.
Preocupações com o futuro econômico
O clima de festa, contudo, não foi unânime em toda a vizinhança. O motorista de aplicativo Wilson Soares, alinhado ao espectro político da direita, optou por permanecer em casa e manifestou apreensão em relação aos rumos econômicos do país para o próximo quadriênio.
“Eu acho que serão mais quatro anos difíceis”, disse.
Enquanto parte da comunidade celebrou efusivamente nas vias públicas, os diferentes posicionamentos evidenciam a pluralidade de visões políticas coexistindo na mesma região da Zona Sul paulistana.






