O governo federal estendeu por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel, uma tentativa de mitigar o impacto da volatilidade do petróleo no mercado internacional, impulsionada por conflitos globais e pela desvalorização do real.
Entenda por que o Brasil importa diesel Apesar de ser um grande produtor de petróleo bruto, o país depende da importação de cerca de um quinto do diesel consumido internamente, devido a limitações na capacidade de refino nacional após a venda de unidades da Petrobras para a iniciativa privada.
Especialistas apontam que a dependência externa e a escassez de ferrovias tornam o sistema logístico brasileiro altamente vulnerável, elevando os custos do frete rodoviário e pressionando a inflação dos alimentos.
Impacto direto no agronegócio O encarecimento do combustível afeta desde a operação de máquinas agrícolas no campo até o escoamento da safra para portos e centros de consumo, gerando alertas entre produtores sobre possíveis riscos de desabastecimento e perda de competitividade nas exportações.
“Os combustíveis em geral, sobretudo gasolina e diesel, têm um impacto muito grande sobre o transporte de mercadorias. O Brasil é um país grande e precisa transportar cargas por longas distâncias, isso afeta muito a produtividade do Brasil”, afirma Paulo Feldmann, da FEA-USP.
Riscos e soluções a longo prazo Enquanto o subsídio atua como um alívio temporário para os preços, analistas alertam que a manutenção artificial pode desestimular importações privadas, sobrecarregando a Petrobras. A solução definitiva, segundo especialistas, passa pela modernização das refinarias e diversificação da matriz de transporte.
“O aumento dos custos pode reduzir a competitividade das exportações e encarecer os alimentos no mercado interno”, afirma Paulo Feldmann, da FEA-USP.
“Todos falam que ‘da porteira para dentro’ a agricultura brasileira é a mais competitiva do mundo. O Brasil perde muito no transporte, que é o que mais afeta o custo.”






