A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte turbulência no mercado financeiro nesta segunda-feira (26), com disparada do dólar e queda acentuada da bolsa brasileira. Diante do movimento, a B3 acionou o “circuit breaker”, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de forte queda do mercado. A suspensão ocorreu logo no início do pregão e teve duração prevista de 30 minutos.
Como funciona o circuit breaker
Segundo a B3, a suspensão atingiu a compra e venda de ações de empresas, fundos de investimento negociados na bolsa (ETFs) e outros tipos de aplicações financeiras. A bolsa informou que as operações seriam retomadas por meio de um leilão entre 10h30 e 10h35.
O circuit breaker é um instrumento regulatório aplicado para paralisar momentaneamente os negócios quando o mercado acionário sofre desvalorizações excessivamente abruptas. O objetivo central é conceder um intervalo para que os aplicadores recalibrem suas estratégias e mitigar os perigos de vendas e compras em massa descontroladas. Logo após a pausa, as atividades retornam à normalidade.
Regras para cada nível de queda
A primeira etapa de interrupção ocorre por 30 minutos quando o Ibovespa despenca 10% na comparação com o pregão anterior. Nessa circunstância, tanto as negociações de ações quanto de derivativos são interrompidas pelo período estipulado.
Caso a pressão vendedora persista após a reabertura e o índice alcance uma retração de 15%, a bolsa pode ordenar uma nova paralisação, desta vez estendida por uma hora inteira. Se o recrudescimento atingir o patamar de 20% de baixa, uma nova interrupção é decretada, com duração definida pelo próprio operador do mercado.
Vale ressaltar que a regra sofre alteração na reta final do pregão: caso o gatilho seja acionado nos últimos trinta minutos, o horário de encerramento pode ser estendido em até 30 minutos para assegurar o funcionamento mínimo pós-reabertura.
Histórico de acionamentos no Brasil
Implementado em 1997, o mecanismo de segurança já foi acionado em 23 ocasiões ao longo da história recente. Entre os episódios mais marcantes estão o crash da crise asiática em 1997, a transição cambial de 1999, o colapso do subprime americano em 2008 e as turbulências da pandemia de Covid-19 em março de 2020.
Em episódios específicos, como nos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, a B3 optou por encerrar os trabalhos mais cedo mesmo sem atingir formalmente o patamar técnico do circuit breaker, acompanhando o reflexo global nos negócios.






