A B3 confirmou nesta segunda-feira (26) a suspensão temporária dos negócios após o Ibovespa despencar 10% em comparação ao último pregão, atingindo o limite que obriga a ativação do circuit breaker. Com a medida, todas as operações no mercado à vista foram paralisadas por 30 minutos.
Como funciona o mecanismo de defesa da bolsa
A paralisação afeta diretamente ações, ETFs, BDRs, opções vinculadas a esses papéis e ativos de renda fixa privada. Enquanto durar a interrupção, os investidores têm a oportunidade de cancelar ordens que não estejam em leilão. A instituição financeira informou que o horário exato da retomada das atividades será divulgado posteriormente aos operadores.
O regulamento da bolsa brasileira prevê etapas rigorosas para conter perdas expressivas. Se, após a reabertura, o índice acionário acumular queda de 15%, uma nova paralisação de uma hora é decretada. Caso a desvalorização atinja o patamar de 20%, a diretoria pode determinar a suspensão por um prazo indeterminado, mediante aviso prévio ao mercado.
Reação do mercado financeiro e cenário político
A forte retração nos negócios reflete o descontentamento e a apreensão de agentes econômicos com o resultado do segundo turno eleitoral realizado neste domingo (25), que garantiu a reeleição do presidente Lula (PT). A vitória nas urnas intensificou receios de investidores em relação ao controle dos gastos públicos e à condução da política fiscal brasileira.
Retrospectiva histórica das paralisações
Com o evento desta segunda-feira, o mecanismo de segurança soma agora 24 ativações oficiais ao longo de sua história. A primeira fase de maior instabilidade ocorreu em 1997, durante a crise asiática, seguida por novas interrupções em 1998 devido aos desdobramentos da moratória russa, com direito a dois acionamentos em um único dia de setembro.
As turbulências continuaram na virada do século, registrando quedas históricas durante a crise cambial de 1999, período em que o índice brasileiro pontuou em mínimas acentuadas. Anos mais tarde, o colapso do banco americano Lehman Brothers provocou seis paralisações no pregão brasileiro em 2008.
Entre os episódios mais recentes, a bolsa precisou travar as negociações em 2017, na esteira da repercussão gerada pela delação premiada da JBS que abalou a gestão de Michel Temer. Posteriormente, o fantasma da volatilidade extrema retornou com força em março de 2020, quando o mecanismo foi acionado seis vezes em decorrência da chegada da pandemia de Covid-19 aos mercados globais.






