A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que contrariou a maioria dos institutos de pesquisa e surpreendeu analistas do mercado financeiro, pode causar um “terremoto” também no mercado de câmbio e catapultar o dólar à maior alta diária em quase 30 anos, desvalorizando fortemente o real.
Projeções para o câmbio
De acordo com projeções do jornal Valor Econômico, a moeda dos Estados Unidos pode terminar a sessão desta segunda-feira, 26, registrando a maior alta diária desde 1999, quando o câmbio flutuante foi adotado no país. O câmbio flutuante é um regime cambial no qual o preço de uma moeda em relação a outra é definido livremente pelo mercado, com base na oferta e na demanda, sem um valor fixo determinado pelo governo. Ele foi instituído ainda no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
Disparidade na moeda americana
Mais cedo, como Oeste noticiou, o dólar chegou a disparar mais de 12%, superando a marca de R$ 5,60. A valorização da moeda norte-americana perante o real é maior do que a registrada no dia 15 de janeiro de 1999, no início da adoção do câmbio flutuante, quando houve valorização de 11,1%.
Na última sessão da semana passada, na sexta-feira 24, antes do segundo turno da eleição, o dólar terminou o dia em queda de 0,9% perante o real, cotado a R$ 4,993. Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,5% em outubro e de 9,03% em 2026.
Queda acentuada do real no exterior
Já na madrugada desta segunda-feira, horas depois da confirmação da vitória de Lula, o real registrava uma forte queda de cerca de 10% perante o dólar no mercado futuro da CME, em Chicago (EUA), a maior bolsa de derivativos (futuros e opções) do mundo. Por volta das 3h40 (pelo horário de Brasília), o contrato com vencimento em novembro de 2026 tombava 10,09%, o que pode, em tese, levar o dólar para a faixa de R$ 5,56 na sessão desta segunda-feira. Já o contrato com vencimento em dezembro de 2026 recuava 9,79%.
Na sexta-feira 24, o Citi divulgou um relatório feito a partir da avaliação de mais de 70 gestores de fundos de ações multimercado. Em caso de vitória de Lula, o que acabou se confirmando nas urnas, cerca de 80% dos entrevistados projetavam uma queda superior a 5% no Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), no pregão desta segunda.
Outros 7% estimavam uma desvalorização entre 1% e 5%, enquanto 3% esperavam recuo de 1% a 5% no primeiro pregão da semana. Ainda de acordo com o levantamento do Citi, 63% indicavam uma possível desvalorização do real acima de 5% perante o dólar. Outros 28% apontavam uma depreciação entre 2% e 5%.






