O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demitiu Katie Zacharia do cargo de secretária de imprensa da Casa Branca. A saída encerra uma passagem relâmpago de apenas uma semana, que acumulou críticas à primeira coletiva de imprensa e questionamentos sobre a maneira como ela apresentava suas credenciais jurídicas.
Sinalização pública de saída
Antes de a demissão ser divulgada, o chefe do executivo americano já havia sinalizado publicamente que a permanência da porta-voz estava comprometida. Ao deixar Washington para um comício na Geórgia, contou que recomendou a Zacharia reconsiderar o cargo.
“Sinceramente, se eu fosse você, reconsideraria”, afirmou o presidente, ao reproduzir a conversa.
Trump elogiou a lealdade da assessora e disse que ela havia sido maltratada pela imprensa. Mas também questionou sua adaptação à função.
“Katie, você precisa disso? Acho que você não precisa disso”, relatou. “Talvez isso não seja para ela”, acrescentou.
Trajetória e polêmica sobre o diploma
Escolhida em 9 de outubro para substituir Karoline Leavitt, Zacharia havia chamado a atenção do presidente como comentarista conservadora na televisão. Antes da nomeação, trabalhava na comunicação da Trump Media & Technology Group, empresa ligada à Truth Social, e havia passado pelo Departamento de Segurança Interna.
A controvérsia sobre seu currículo ganhou força depois que Trump a apresentou como “attorney”, termo usado para advogado habilitado. A Reuters informou que não encontrou registros de inscrição profissional dela em nenhum estado americano ou no Distrito de Columbia. Em resposta à agência, Zacharia afirmou que havia trabalhado com transações internacionais com todas as credenciais necessárias.
Formada em Direito pela Universidade Pepperdine em 2011, ela reconheceu em entrevista a Sean Hannity, da Fox News, que não passou no exame da ordem. Questionada sobre novas tentativas, respondeu que não voltou a fazer a prova.
Ao explicar a reprovação, Zacharia disse que estava recém-casada e se preparava para mudar para a China, onde o marido trabalhava. Afirmou que estava distraída e sobrecarregada naquele período e considerou o resultado da prova pouco relevante para os planos profissionais que tinha no exterior.
Investigação e questionamentos
O ponto central da controvérsia passou a ser como ela se apresentava publicamente. Uma investigação identificou publicações compartilhadas por Zacharia que a descreviam como “attorney”. Zacharia alegou que recebeu orientação para usar a palavra “lawyer”, em razão do diploma e da experiência internacional, mas não “attorney” ou “esquire”.
Outra dúvida envolve seu trabalho na organização conservadora Fix California. Seu perfil profissional registrava o cargo de “general counsel”, normalmente associado à chefia jurídica. À Reuters, o fundador da entidade, Richard Grenell, afirmou que ela era uma assessora sênior com diferentes funções, entre elas coordenar os advogados externos.
O órgão responsável pela regulamentação da advocacia na Califórnia informou que não havia registro de Zacharia como profissional licenciada no estado. O grupo Campaign for Accountability pediu uma investigação sobre a possibilidade de ela ter apresentado suas qualificações de maneira irregular.
As perguntas sobre o currículo se somaram à repercussão negativa da estreia no púlpito da Casa Branca, realizada poucos dias antes.






