Representantes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que concorre à Presidência da República, iniciaram contatos com o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de alinhar o panorama para o período pós-eleitoral e estabelecer canais de diálogo com a Corte.
Estratégia de pacificação institucional
Durante as tratativas, a mensagem repassada é de que não existe o propósito de fomentar uma crise institucional, mesmo que o impeachment de magistrados seja uma das principais bandeiras do bolsonarismo e dos parlamentares do PL.
Os emissários têm sinalizado que rejeitam qualquer atrito com o Judiciário. Contudo, admitem que será preciso ponderar a nova formação do Senado, espaço onde a pressão pelo afastamento de ministros tende a ganhar força.
Essa investida também desperta interesse em facções do STF, encabeçadas pelo ministro Alexandre de Moraes. Nos bastidores, a leitura é de que existem pautas convergentes entre o tribunal e uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro, o que viabilizaria entendimentos mais amplos.
O cálculo político no Senado e no tribunal
A cúpula do Judiciário também faz suas próprias projeções. Magistrados ponderam que nem todos os senadores eleitos com a retórica de embate contra o STF manterão essa postura após a posse, já que alguns respondem a inquéritos ou podem enfrentar denúncias criminais.
Nas palavras de um integrante do Judiciário, a expectativa é que haja muito “tigrão virando tchutchuca” quando esses parlamentares assumirem seus mandatos.
Outro ponto transmitido aos representantes do candidato é que um governo focado em embates com o Supremo corre o risco de paralisar a própria administração, comprometendo a governabilidade e outras agendas.
A disputa pela liderança do Senado
Essas movimentações estão ligadas à sucessão na presidência do Senado, que já movimenta os bastidores com três nomes principais: Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS) e Davi Alcolumbre (União-AP).
Marinho, que coordena a campanha presidencial, defende o confronto com o STF e tenta viabilizar seu nome. No entanto, o próprio PL articula barreiras contra sua candidatura, pois integrantes avaliam que ele se fortaleceu em excesso e, na expressão usada por alguns interlocutores, “subiu no salto”.
O grupo prefere Tereza Cristina, vista como mais moderada e com trânsito livre entre o STF e diferentes correntes políticas. Paralelamente, o Centrão atua pela recondução de Davi Alcolumbre, que possui laços estreitos com Alexandre de Moraes e mantém pontes abertas com a Suprema Corte.
A vaga em aberto no STF
Outro ponto estratégico envolve a próxima vaga no Supremo. Circulam nos bastidores discussões sobre a possibilidade de o atual presidente realizar uma indicação ainda no final do ano, caso Lula venha a ser derrotado.
Entre os nomes cogitados está o de Rodrigo Pacheco, aliado de Alcolumbre e próximo de ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. A avaliação é que sua chegada ao tribunal alteraria o equilíbrio interno antes mesmo da posse de um novo governo, fortalecendo o bloco alinhado no Supremo.






