O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou nesta sexta-feira (6) a troca no comando de sua equipe com a nomeação de Stephen Miller para o cargo de chefe de gabinete. A alteração na cúpula da administração federal evidencia uma guinada para uma linha mais rígida na condução da política interna do país.
Mudança estratégica após derrota eleitoral
A ascensão de Miller ao posto máximo da equipe de assessores acontece apenas três dias depois de o Partido Republicano sofrer um revés expressivo nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. O pleito resultou no avanço do Partido Democrata, que retomou o controle da Câmara dos Deputados, do Senado e de postos de governadores em estados historicamente conservadores, a exemplo do Texas.
Questionado nesta sexta sobre a nova escolha, Trump disse que queria “promover uma mudança” em seu governo – o anúncio ocorre três dias após Donald Trump amargar uma dura derrota nas midterms, como são chamadas as eleições nos Estados Unidos para renovar parte do Legislativo e de governos estaduais.
Representantes da administração federal indicaram à agência de notícias Reuters que a chegada do novo dirigente aponta para uma postura mais enérgica do executivo estadunidense.
“É um prazer anunciar que o sr. Stephen Miller, o atual vice-chefe de gabinete, e um de meus conselheiros de maior confiança, se tornará chefe de gabinete, começando na segunda-feira, 9 de novembro”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
Histórico de medidas migratórias rigorosas
O novo responsável pela chefia de gabinete ocupava anteriormente o posto de vice e possui um histórico de forte atuação em políticas restritivas à imigração. Durante o primeiro mandato do republicano, ele concebeu iniciativas controversas, como a barreira na divisa com o México, que lhe rendeu o apelido de “pai do muro”, e o impedimento de entrada para viajantes de nações com maioria muçulmana.
Outra ação atribuída ao político foi a separação de milhares de menores de idade de seus responsáveis na divisa, procedimento alvo de fortes críticas de entidades internacionais como a ONU. Na administração atual, ele propôs metas diárias de detenção de imigrantes sem documentos oficiais, elevando a atuação dos agentes de controle migratório.
A saída da veterana Susie Wiles
Com a transição, Miller substitui Susie Wiles, figura central na organização da campanha e na estruturação da atual gestão. Conhecida pelo perfil reservado e por definir a si mesma como “organizadora do caos”, Wiles atuou para consolidar a vitória eleitoral e blindar a imagem do líder republicano após os eventos no Capitólio em 2021.
Nesta sexta, o norte-americano agradeceu a Wiles, “que fez um trabalho fora do comum”. Ele não deu mais detalhes sobre a nova função que a assessora desempenhará.
A saída da assessora da Casa Branca marca o encerramento do ciclo de uma das principais estrategistas políticas da administração, enquanto o governo se reorganiza para enfrentar o cenário adverso no Legislativo.






