A presidência brasileira da COP30 apresentou nesta 3ª feira (3.nov.2026) um documento detalhado com diretrizes para reduzir a dependência mundial de carvão, gás e petróleo. O material de 182 páginas sugere que cada nação avalie sua própria vulnerabilidade em relação aos recursos fósseis e adote estratégias adequadas, embora o texto não estabeleça prazos ou obrigações formais.
Estrutura e pilares do plano energético
O lançamento ocorreu na Casa ONU, em Brasília, contando com a presença do presidente da COP30, André Corrêa do Lago, da CEO da conferência, do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e da ex-ministro Marina Silva. A iniciativa funciona como uma “contribuição da presidência”, uma vez que o tema ficou de fora das negociações oficiais por falta de consenso entre as delegações.
Composto por três pilares centrais — demanda de energia, oferta e dependência econômica —, o guia utiliza o Índice de Prontidão de Belém para mensurar a exposição e a capacidade de reação de cada nação. O cronograma prevê a agenda coletiva TAFF Mutirão, dividida em etapas até 2033 para abranger desde planos nacionais até ajustes na oferta de hidrocarbonetos e controle de emissões de metano.
Diretrizes para a preservação de florestas
Além da matriz energética, as autoridades divulgaram um plano focado em zerar e reverter o desmatamento até 2030, estruturado em cinco dimensões e três frentes de ação. O relatório aponta que o mundo aplicou US$ 84,5 bilhões em áreas verdes em 2023, valor distante da necessidade anual estimada em mais de US$ 300 bilhões.
Ana Toni afirmou que o desafio agora é ampliar a escala das políticas existentes, e não criar novas. O mecanismo do Fundo Florestas Tropicais para Sempre desponta como principal aposta financeira, reunindo US$ 7,6 bilhões em compromissos diante da meta estipulada em US$ 10 bilhões até dezembro de 2026.
Limites e perspectivas futuras
Durante a divulgação, representantes do governo ponderaram sobre os desafios práticos da transição. Questionado sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial, o Ministério do Meio Ambiente admitiu a lentidão na mudança estrutural. Capobianco afirmou: “Não existe uma perspectiva, no curto prazo, de abandonar o uso de combustíveis fósseis. Infelizmente”.
Por sua vez, Marina defendeu que o mapa também considere as pessoas que dependem economicamente do petróleo. “A transição precisa ser justa para todos, inclusive para quem só tem petróleo”, declarou. Sobre a expectativa de resultados imediatos, Capobianco foi cauteloso. “Você não faz mudanças de rota repentinamente”, disse.
O encerramento do ciclo brasileiro na liderança climática ocorrerá na COP31, na Turquia, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferirá o comando e os roteiros serão debatidos internacionalmente.






