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Rússia ataca rede elétrica da Ucrânia com centenas de drones e mísseis

Rússia lança ataque com centenas de drones e mísseis contra rede elétrica da Ucrânia às vésperas de negociações de paz

A infraestrutura energética da Ucrânia foi alvo de uma ofensiva em larga escala nesta terça-feira (3), com dezenas de mísseis e centenas de drones lançados pelas forças russas. Os bombardeios atingiram usinas e subestações elétricas, deixando diversas regiões ucranianas sem energia a apenas uma semana da retomada das negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, marcadas para os dias 10 e 11 de novembro.

Destruição no setor energético e impacto no inverno O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, detalhou que a Rússia disparou 289 drones, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro durante a madrugada. A ofensiva atingiu instalações desde o porto de Odessa, no sul, até Rivne, no oeste. A DTEK, maior empresa privada de geração de energia do país, informou que três de suas cinco usinas termelétricas pararam de funcionar. O primeiro-ministro ucraniano, Sergii Koretskyi, relatou que uma estação ferroviária e trens também foram atingidos, enquanto cortes de energia afetaram a capital, Kiev, e pelo menos outras seis regiões, interrompendo o abastecimento de água e afetando o transporte.

Diante da aproximação do inverno, a população teme a repetição do cenário do ano passado, quando milhões de pessoas ficaram sem eletricidade e aquecimento.

“Este inverno será muito difícil”, afirmou Olha Hyria à agência de notícias, de 49 anos, moradora de Dnipro, no centro da Ucrânia. “A Rússia está atacando usinas de energia e de aquecimento, e isso significa que este inverno será muito difícil”, disse.

Em Dnipro, os ataques deixaram dois mortos e cerca de 20 feridos. Moradores locais, como Nataliia Danyliuk, de 49 anos, têm se preparado estocando água, baterias portáteis, roupas quentes e sacos de dormir.

“Compramos roupas quentes e sacos de dormir. Que façam o que quiserem conosco, mas a Ucrânia resistidou, está resistindo e continuará resistindo”, afirmou.

Vítimas civis e o contexto das negociações A escalada da violência incluiu bombardeios na segunda-feira (2) contra uma escola que operava como centro de distribuição de ajuda humanitária na vila de Komyshuvakha, em Zaporizhzhia, resultando em pelo menos 33 mortes, segundo Zelensky. O líder ucraniano apontou que cerca de 50 pessoas ainda poderiam estar soterradas. Os ataques ocorreram menos de dois dias após o fim de uma trégua humanitária em Oleshky negociada com o apoio da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.

Durante uma entrevista coletiva em Berlim ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Zelensky declarou que os ataques mostram o desinteresse de Moscou em aproveitar a trégua para avançar diplomaticamente. O presidente também destacou que a ofensiva coincidiu com as eleições legislativas dos Estados Unidos, exigindo maior apoio de aliados em equipamentos de defesa aérea.

Posição da Rússia e exigências da Europa Por outro lado, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas tropas alvejaram instalações de energia e unidades militares em áreas próximas a Komyshuvakha e a outros dois povoados, alegando a morte de até 25 militares ucranianos e a destruição de veículos e de uma estação de guerra eletrônica. Moscou também acusou Kiev de provocar um incêndio em uma refinaria de petróleo em Yaroslavl.

A Alemanha, principal apoiadora financeira da Ucrânia desde a retirada de fundos americanos na gestão de Donald Trump, defendeu a participação europeia no processo de paz. Merz classificou o encontro em Abu Dhabi como o caminho correto, mas cobrou uma postura mais firme de Moscou.

“Mas também diria que é importante que a Rússia finalmente se envolva em negociações sérias sobre um cessar-fogo e, posteriormente, um acordo de paz. Não vi nenhum sinal disso até agora”, afirmou o chanceler à Reuters.

Antes da cúpula nos Emirados Árabes Unidos, a Comissão Europeia programou uma reunião para esta quarta-feira (4) envolvendo Estados Unidos, Otan, nações europeias e o governo ucraniano para discutir um “plano de prosperidade” e garantias de segurança para a Ucrânia, com novas consultas da Otan agendadas para quinta-feira (5).

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