A Fifa assumiu o compromisso de quitar aproximadamente US$ 4 milhões referentes às obrigações fiscais de seu presidente perante o governo dos Estados Unidos. O acordo abrange o período de três anos em que o dirigente permanecerá baseado em Miami, cidade para onde se mudou recentemente vindo da Suíça.
Decisão de comitê em Bangkok
O acerto financeiro foi aprovado em maio de 2024 por um colegiado de três membros durante um encontro de rotina realizado na capital da Tailândia. A quantia equivale exatamente ao imposto devido por Infantino à Receita Federal norte-americana, considerando que seu salário anual na organização gira em torno de US$ 6 milhões.
Durante a reunião tailandesa, o contador suíço e presidente do comitê de remuneração argumentou que a entidade já custeava taxas extras de cerca de 12 colaboradores transferidos para solo americano visando os preparativos para o torneio mundial de 2026. Sob essa justificativa, o comitê estendeu a mesma prerrogativa ao dirigente máximo do futebol.
Omissão e conflitos de interesse
Apesar do acordo bilionário, o subsídio tributário ficou de fora dos relatórios públicos da instituição. A ausência de divulgação viola diretrizes de transparência implementadas após o grave escândalo de corrupção que abalou a federação internacional cerca de dez anos atrás, as quais determinam a publicidade dos ganhos dos principais executivos.
Investigações apontam ainda que o advogado particular do presidente prestou consultoria ao responsável pelo comitê de remuneração justamente no processo que culminou na isenção de impostos. Embora a equipe administrativa da federação tenha apontado um claro conflito de interesses nessa consultoria, a cúpula manteve o uso dos serviços do profissional em pautas que impactavam diretamente o dirigente.
Além disso, o chefe do comitê de remuneração acumulou regalias, incluindo acesso exclusivo a partidas do Mundial de 2026 com privilégios de trânsito em voos fretados da organização, regalias não estendidas a outros comitês. A remuneração do mesmo cargo também passou por modificações cambiais que resultaram em um acréscimo financeiro superior a US$ 50.000 devido à flutuação das moedas.
Posicionamento oficial e panorama de crise
Questionada sobre o arranjo financeiro, a federação declarou em nota que “todos os regulamentos internos e processos, e todas as leis aplicáveis, foram seguidos” e que “a Fifa garante o cumprimento de todos os requisitos de reporte e tributação”. A instituição reforçou que os ganhos da diretoria passam por auditorias independentes, embora tenha evitado aprofundar os detalhes sobre a compensação tributária do presidente.
O dirigente agora atravessa o período mais delicado de sua gestão à frente da entidade esportiva. O desgaste se aprofundou após revelações de que ele conduziu tratativas reservadas para negociar participações em direitos de transmissão da Copa do Mundo com uma firma ligada a familiares da política norte-americana, gerando fortes pressões internacionais antes do pleito de reeleição marcado para março de 2027.






