Por Niel Rocha | FRONTE INSÓLITO
O Aladim que o cinema tornou mundialmente famoso tem uma origem literária bem diferente da que muita gente imagina. Na narrativa mais antiga conhecida, a aventura se passa na China — e a lâmpada não oferece apenas três desejos.
Aladim vivia na China?
Sim, na versão registrada pelo escritor francês Antoine Galland no início do século XVIII, Aladim é apresentado como filho de um alfaiate chamado Mustafá e mora em uma cidade chinesa. Isso, porém, não significa que a história seja comprovadamente de origem chinesa: nomes, costumes e referências religiosas presentes no conto estão ligados ao universo cultural islâmico.
O contador de histórias sírio por trás do conto
A história ganhou notoriedade internacional graças a Galland, que a ouviu em 1709 de Hanna Diyab, contador de histórias de Aleppo, na Síria. Galland incorporou o relato à edição francesa de As Mil e Uma Noites, publicando a aventura de Aladim em 1712. O conto não integra os manuscritos árabes mais antigos conhecidos da coletânea.
Não eram apenas três desejos
O famoso limite de três desejos não é uma regra do conto registrado por Galland. Aladim pede repetidamente ajuda ao espírito da lâmpada, que lhe proporciona refeições, riquezas e até um palácio. A restrição a três pedidos foi popularizada em adaptações posteriores, especialmente no cinema.
Dois gênios, não apenas um
Outro detalhe frequentemente esquecido: havia um espírito associado a um anel mágico e outro, mais poderoso, à lâmpada. O gênio do anel socorria Aladim em momentos de perigo; o da lâmpada realizava feitos extraordinários.
Jasmine também não era o nome original
A princesa do conto era conhecida como Badr al-Budur, e não Jasmine, nome que se tornou popular nas adaptações modernas. Ao longo de séculos, traduções, peças teatrais e filmes transformaram o cenário e os personagens, aproximando a narrativa do imaginário de uma cidade árabe fantástica.
Então Aladim era chinês ou árabe?
A resposta mais precisa é: na versão mais antiga conhecida, a história é ambientada na China, mas sua transmissão literária documentada está ligada a um narrador sírio e a um editor francês. O conto mistura tradições culturais e não permite concluir simplesmente que Aladim foi criado na China.
Uma coisa, entretanto, é certa: o Aladim que conhecemos nas telas é apenas uma das muitas versões de uma história que atravessou séculos e fronteiras.
FRONTE INSÓLITO — O extraordinário também é notícia.
Fontes e leituras: National Geographic — Origins of Aladdin; University of Illinois — Arabian Nights; Smithsonian Magazine — Why is the Genie in Aladdin Blue?.



