O carnavalesco Milton Cunha desembarcou pela primeira vez em Fernando de Noronha no sábado (31), após enfrentar perrengues logísticos que alteraram seus planos iniciais de chegada ao arquipélago.
Os imprevistos na rota
A viagem que deveria ter acontecido na sexta-feira (30) foi comprometida por um atraso no voo de saída do Rio de Janeiro com conexão em São Paulo. De acordo com a companhia aérea Latam, o tempo hábil para o embarque na conexão se esgotou devido a questões operacionais no voo LA3341, que pousou em Guarulhos com atraso.
Para contornar a situação, a empresa reacomodou os passageiros em uma rota alternativa via Recife, permitindo a chegada a Noronha apenas no dia seguinte. “Valeu a pena enfrentar tudo porque Fernando de Noronha é o paraíso. É uma atmosfera de vento, palhoça, bambu, é um sonho. A ilha é onírica, lisérgica”, declarou.
Participação no festival Love Noronha
Convidado para uma participação VIP no festival LGBTQIA+ Love Noronha, o jurado do quadro Dança dos Famosos viu sua agenda na ilha ser reduzida. O atraso resultou na perda de parte da programação oficial, incluindo um passeio de barco planejado para os primeiros dias.
“Perdi dois dias de trabalho. O meu Love Noronha ficou sem o passeio de barco. Eu vim pelo festival, minha tribo, meu grupo, meus semelhantes LGBTQIA+. Não consegui viver o evento completo, mas Fernando de Noronha arrebata”, declarou. Apesar dos contratempos, ele marcou presença na festa de Halloween do festival e no Furdicinho, com permanência na ilha programada até quarta-feira (4).
Potencial turístico e artístico
Encantado com a simplicidade e a beleza do local, o carnavalesco defendeu uma maior projeção do destino para visitantes estrangeiros. “Tudo é simples, na medida certa. Para mim, no Brasil tem Parintins e Noronha, dois pontos que o turista internacional não pode deixar de visitar”, afirmou, comparando a estrutura local a uma superprodução: “Fernando de Noronha é cenário, figurino, iluminação, direção, roteiro, um espetáculo”.
O arquipélago, que já inspirou o desfile da Estação Primeira de Mangueira no Carnaval carioca de 1995, também foi apontado por ele como fonte fértil para futuros enredos na Marquês de Sapucaí.
“Noronha é totalmente carnavalizada porque ela é o sonho idílico do estrangeiro sobre nós. O olhar do bom selvagem, do homem vivendo em completa sintonia com a natureza. É tudo utópico. A professora Rosa Magalhães carnavalizaria muito bem”, avaliou, sugerindo ainda a fase em que a região abrigou um presídio como tema potencial. “Noronha teve um presídio que recebeu mestres de capoeira. Isso já é um enredo: os mestres. É toda uma herança de negritude, conflagrada nas celas. Dá para carnavalizar tanto Fernando de Noronha. É uma feitiçaria que envolve. Clarice Lispector tem uma palavra linda, ‘enovelar-se’. Fernando de Noronha te enovela, você vira um novelo de Noronha”.






