O prefeito de Taipé, Chiang Wan-an, enfrentou forte rejeição pública ao marcar presença na Parada do Orgulho de Taiwan, evento que reuniu mais de 170 mil pessoas neste sábado (31). A manifestação ocorre em meio a uma disputa acirrada pela reeleição e logo após uma polêmica operação policial em um estabelecimento voltado para o público LGBTQ+ na capital taiwanesa.
Repercussão e clima político Filiado ao partido de oposição Kuomintang, o chefe do executivo municipal compareceu ao final do ato e permaneceu na multidão por apenas 15 minutos. Sua aparição foi recebida com protestos veementes, incluindo gritos de “não façam batidas em bares gays”, além de demonstrações de apoio ao seu principal oponente na corrida eleitoral, Puma Shen, representante do Partido Democrático Progressista (DPP).
Declaração oficial do prefeito Questionado pela imprensa sobre o episódio, o gestor municipal declarou: “Já disse isso antes: peço desculpas pelo impacto causado às pessoas afetadas”. E acrescentou: “Portanto, sobre esse assunto, conduziremos uma investigação rigorosa e aplicaremos medidas disciplinares imediatas.”
Insatisfação da comunidade A reação negativa reflete o temor de retrocessos em Taiwan, pioneiro na Ásia após legalizar o casamento homoafetivo em 2019. Alan Chang, de 30 anos, classificou a abordagem policial como “ridículo e inacreditável”, ressaltando que “este é um país e uma cidade que valorizam a igualdade de gênero”.
Posicionamento de autoridades rivais Enquanto Chiang lidava com a rejeição, seus concorrentes políticos obtiveram forte apoio popular no evento. Puma Shen foi ovacionado em outra área do ato, a vice-presidente Hsiao Bi-khim comandou a comitiva do DPP na marcha, e o presidente Lai Ching-te publicou nas redes sociais que a sociedade precisa garantir que nenhum cidadão sinta temor devido à sua identidade.
Contexto da operação policial A controvérsia teve início quando agentes de segurança realizaram uma investida no bar Commander D, situado no bairro Ximen, tradicional reduto da diversidade na cidade. Na ocasião, 51 frequentadores foram conduzidos para prestar esclarecimentos e o dono do estabelecimento acabou preso. As autoridades justificaram a ação sob a acusação de suposta infração a uma norma que proíbe expor o corpo de maneira inadequada ou adotar posturas consideradas lascivas em espaços públicos, gerando detenções que ultrapassaram seis horas.






