A busca de médicos do Brasil por oportunidades de trabalho e residência nos Estados Unidos apresentou um salto expressivo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos dois primeiros dias posteriores ao segundo turno, o volume de consultas diárias em uma empresa especializada na preparação para o sistema de saúde norte-americano disparou de uma média de 100 a 150 para aproximadamente 2 mil.
Entre segunda e terça-feira, a instituição contabilizou cerca de 4 mil contatos, igualando em apenas 48 horas o total registrado durante todo o mês anterior. De acordo com o médico e fundador da RD Medicine, Rafael Duarte, o patamar de procura atingiu o maior recorde histórico da empresa em um intervalo tão curto.
A corrida pelas vagas de residência médica Embora o interesse pelo mercado internacional já estivesse em trajetória de alta antes mesmo da votação, a corrida às urnas funcionou como um fator decisivo para antecipar projetos que muitos profissionais já vinham amadurecendo. “A eleição foi o empurrão, não a causa”, afirma Rafael Duarte.
O descompasso entre o crescimento do número de graduados em medicina e a oferta limitada de especializações é apontado como o principal motor dessa migração profissional. Dados da pesquisa Demografia Médica no Brasil 2025 — realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Ministério da Saúde — indicam que o país deverá romper a marca de 1,15 milhão de médicos em 2035.
O levantamento aponta 635.706 profissionais ativos em 2025, o que resulta em uma média de 2,98 médicos por mil habitantes, índice que pode saltar para 5,25 daqui a uma década. No entanto, a distribuição geográfica permanece desigual: municípios com mais de 500 mil habitantes concentram 58% dos profissionais, apesar de abrigarem apenas 31% da população nacional.
Desafios na formação e o funil da residência A proliferação de cursos superiores também intensifica a concorrência pelas vagas de especialização. Em 2024, cerca de 32 mil novos profissionais concluíram a graduação, enquanto o sistema ofertou aproximadamente 16 mil vagas de residência médica de acesso direto.
“Na prática, há vaga para metade dos formandos”, afirma Rafael Duarte. “É esse médico que passa a olhar para os Estados Unidos como projeto de carreira, e não como plano B.”
Apesar do funil acadêmico, o ingresso na pós-graduação possui dinâmicas variadas. Cerca de 51,5% dos médicos entram na residência até um ano após a formatura, enquanto 22,1% esperam até dois anos e 12,5% aguardam até três. O estudo também revelou que 40,9% dos médicos brasileiros atuavam como generalistas em 2024, sem título de especialista reconhecido.
Como funciona a validação para atuar no exterior Para exercer a profissão em solo norte-americano, os profissionais precisam superar barreiras rigorosas de certificação, o que inclui a aprovação nos exames de licenciamento médico dos Estados Unidos, conhecidos como USMLE. Candidatos formados no exterior devem ser aprovados nas provas Step 1 e Step 2 Clinical Knowledge, que medem conhecimentos básicos e clínicos.
Além disso, o processo exige validação de credenciais acadêmicas, comprovação de fluência no idioma inglês e testes de habilidades clínicas. A aprovação nos exames concede a certificação necessária para concorrer aos programas de residência, cuja seleção final fica a cargo de cada instituição americana.
Fundada em 2021 e integrante do grupo educacional Gesher, a RD Medicine oferece suporte completo para essa transição, englobando mentoria, cursos para exames e aulas de inglês médico. A estrutura conta com mais de 5 mil alunos, mais de 100 colaboradores e unidades físicas em São Paulo, Rio de Janeiro e na Flórida.






