Um ato público realizado no último sábado (31) em frente à Embaixada dos EUA, na capital britânica, resultou em dezenas de detenções após manifestantes expressarem solidariedade a um grupo banido pelas autoridades do país.
Ação policial e confronto em Londres
A Polícia Metropolitana de Londres confirmou a detenção de 48 indivíduos durante a mobilização. A corporação destacou que a maioria das detenções ocorreu porque os participantes demonstraram respaldo público à Ação Palestina, organização que foi criminalizada pelo governo britânico.
“Os agentes permanecem no local e continuam efetuando prisões”, dizia o comunicado.
O ato reuniu mais de 100 pessoas que portavam cartazes com a frase “Eu me oponho ao genocídio, eu apoio a Ação Palestina”. Durante a ação policial, houve aplaudos e gritos de “Palestina livre, Palestina livre” direcionados aos ativistas que entravam nas viaturas.
Contexto legal e sanções internacionais
O governo do Reino Unido baniu a organização no ano passado sob a acusação de ser uma “organização terrorista”. Por causa dessa medida, qualquer tipo de filiação ou demonstração de apoio ao coletivo pode resultar em penas de até 14 anos de reclusão.
Em solo escocês, uma vigília com o mesmo propósito ocorreu em frente ao Consulado dos EUA em Edimburgo, exibindo faixas idênticas às de Londres. A Polícia da Escócia informou que não houve detenções imediatas, mas que análises estão em andamento.
“As provas estão sendo analisadas e outras medidas serão tomadas conforme apropriado”, afirmou a corporação.
Histórico de confrontos e sabotagens
As manifestações antecedem uma audiência marcada para 4 de novembro na Suprema Corte, onde será julgado um recurso contra a classificação da entidade como terrorista. Os defensores da causa argumentam que a proibição é uma medida excessiva que restringe a liberdade de expressão.
Fundada em 2020, a Ação Palestina busca paralisar a colaboração militar britânica com Israel, país que o grupo acusa de cometer genocídio — acusação que o governo israelense rejeita categoricamente. Os ativistas declaram que sua meta é desarticular os “facilitadores corporativos do complexo militar-industrial israelense”.
O histórico do grupo inclui ações diretas de vandalismo, como a invasão de uma fábrica da Elbit Systems UK em 2024, onde equipamentos foram destruídos com marretas. Em junho de 2025, integrantes também invadiram uma base da Força Aérea Real Britânica, picharam motores de aeronaves com tinta vermelha e causaram danos materiais.






