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Ibovespa despenca em outubro e dólar lidera ganhos após eleição

Ibovespa cai 9,88% em outubro; dólar turismo e comercial avançam 5%

O Ibovespa encerrou o mês de outubro com uma queda expressiva de 9,88%, registrando o pior desempenho entre 13 principais indicadores financeiros analisados em levantamento divulgado nesta sexta-feira (30). Em contrapartida, as cotações do dólar turismo, com alta de 5,47%, e do dólar comercial, com avanço de 5,21%, lideraram as valorizações no período.

Impacto da eleição presidencial na bolsa e no câmbio

A disparada da moeda norte-americana reflete a forte desvalorização do real ao longo do mês. O movimento foi impulsionado pela reprecificação dos ativos brasileiros após a confirmação da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Palácio do Planalto.

Essa reação negativa ocorreu porque parte do mercado financeiro depositava expectativas em um compromisso mais rígido com o equilíbrio das contas públicas caso o candidato derrotado, que havia liderado a votação no primeiro turno, saísse vitorioso. O termo “reprecificar” ilustra exatamente esse comportamento: os investidores ajustam os preços dos ativos diante de novas perspectivas políticas e econômicas.

Inflação e o desempenho frente ao IPCA-15

O termômetro utilizado para medir o ganho real das aplicações foi o IPCA-15, índice calculado pelo IBGE que registrou alta de 0,32% em outubro, acumulando 4,15% em 2026 e 4,62% nos últimos 12 meses. Desse modo, qualquer investimento com rendimento superior a 0,32% no mês obteve ganho real, superando a inflação, enquanto taxas inferiores significaram perda de poder de compra.

Entre os 13 indicadores monitorados, oito superaram a prévia da inflação no mês, ao passo que quatro apresentaram perdas. O dólar turismo superou o IPCA-15 em 5,15 pontos percentuais, enquanto a tradicional poupança ficou 0,34 ponto percentual acima da inflação mensal. Já os BDRs — ativos da B3 vinculados a papéis de companhias estrangeiras — avançaram 0,93% em outubro, impulsionados pela alta da divisa americana.

Renda fixa lidera no acumulado de 12 meses

No horizonte de um ano, o Tesouro Selic 2029 destacou-se com o maior rendimento nominal, alcançando 14,43%, além de ter sido o único título público avaliado a manter resultados positivos em todas as janelas temporais. Outros papéis da renda fixa também superaram a inflação no período:

  • Tesouro IPCA 2029: +1,85% no mês, +10,62% no ano e +12,71% em 12 meses (8,09 p.p. acima da inflação);
  • Tesouro Prefixado 2029: +1,60% no mês, +7,40% no ano e +9,09% em 12 meses;
  • IGP-M: +1,66% no mês, +8,52% no ano e +11,77% em 12 meses;
  • BDRs: +0,93% no mês, +10,58% no ano e +11,68% em 12 meses;
  • poupança: +0,66% no mês, +6,85% no ano e +8,29% em 12 meses.

Analisando o histórico de 12 meses dos indicadores, excluindo o Risco Brasil, sete superaram a inflação oficial, enquanto cinco ficaram abaixo do índice.

O fenômeno do “Flávio Day” e o ajuste fiscal

A volatilidade do mês teve origem imediata no chamado “Flávio Day”. Durante o primeiro pregão após o pleito, em 5 de outubro, o mercado reagiu inicialmente com otimismo à possibilidade de mudanças na política fiscal: o Ibovespa saltou 7,70% (atingindo 206.911,89 pontos), o dólar recuou 4,12% (para R$ 5) e os juros futuros caíram.

No entanto, com a consolidação da vitória petista, parte dessa euforia inicial evaporou. O mercado passou a exigir prêmios maiores para alocar capital no país, motivado por incertezas ligadas à sustentabilidade fiscal. O ajuste fiscal é considerado vital pelos analistas porque mitiga o endividamento estatal, diminui o risco de insolvência e gera confiança na economia, o que tende a derrubar os juros futuros e baratear o crédito corporativo.

Encerrando o mês, o Risco Brasil fechou em 134,87 pontos, registrando recuo de 3,45 pontos frente a setembro e queda de 3,80 pontos no acumulado de 2026. Apesar da melhora, o indicador brasileiro permanece em patamar superior ao de outros mercados emergentes na América Latina, como México (92,85), Peru (66,60) e Chile (57).

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