O Ibovespa acumulou uma queda drástica de aproximadamente 18% durante a semana que sucedeu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paralelamente, o dólar à vista experimentou um salto superior a 9%, impulsionado por revisões nas projeções econômicas e por incertezas ligadas à política fiscal do país.
Desempenho da bolsa e fechamento
No último pregão da semana, realizado na sexta-feira, 30, o principal indicador da Bolsa brasileira registrou retração de 0,75%, estacionando em 167.922 pontos. Esse resultado marcou a quinta sessão consecutiva de perdas, com o índice flutuando entre 167.008 e 169.185 pontos ao longo do dia.
Essa derrocada semanal representou o tombo mais expressivo desde março de 2020, marco inicial da crise sanitária da covid-19. Como reflexo desse cenário, o desempenho acumulado de outubro também virou para o campo negativo, marcando um prejuízo de cerca de 9,9%.
Apesar do cenário adverso, os papéis da Vale e da Petrobras fecharam em alta na sexta-feira, contendo uma queda ainda mais acentuada do índice. Contudo, a apreensão em torno da futura equipe econômica e do equilíbrio das contas públicas continuou pressionando os ativos nacionais.
Disparidade no câmbio
No mercado de câmbio, o dólar encerrou a sessão com ganho de 1,05%, cotado a R$ 5,44, após oscilar entre R$ 5,38 e R$ 5,46. O avanço de 9% acumulado em sete dias configurou a maior alta semanal desde 24 de outubro de 2008, no auge da crise financeira global. No mesmo sentido, o euro comercial subiu 1,12%, alcançando R$ 6,08.
Impacto nos juros futuros
O nervosismo econômico também se espalhou pelos juros futuros, fazendo com que os investidores passassem a exigir remunerações maiores em contratos de diversos vencimentos.
No fechamento regular, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 subiu de 14,37% para 14,48%. Para janeiro de 2029, a taxa passou de 14,80% para 14,96%, enquanto o vencimento em janeiro de 2031 avançou de 15,15% para 15,26%.
Aliado às dúvidas fiscais, o encarecimento do dólar e do petróleo intensificou o temor inflacionário. É importante ressaltar que essas taxas refletem o humor do mercado e não configuram deliberações do Banco Central a respeito da taxa Selic.
Cenário externo desfavorável
Fora do Brasil, o clima também foi de baixa. Nos Estados Unidos, balanços trimestrais de companhias tecnológicas abaixo das estimativas puxaram as bolsas para baixo.
O índice Nasdaq caiu 2,86% (25.437 pontos), o S&P 500 recuou 1,82% (7.579,82 pontos) e o Dow Jones perdeu 1,09% (51.771,14 pontos). O mercado internacional repercutiu ainda falas de autoridades do Federal Reserve, que defenderam a manutenção de juros restritivos nos EUA.






