A imprensa russa perdeu um de seus principais nomes independentes nesta sexta-feira, 30. O tradicional veículo de comunicação comunicou que encerrará definitivamente suas atividades no território russo em 9 de novembro, resultado de uma intensa campanha de pressão conduzida por autoridades e forças de segurança que estrangulou as finanças e inviabilizou o trabalho cotidiano da equipe.
Fim das operações em Moscou
Em nota oficial, a redação foi direta: “Fomos destruídos”. Os planos imediatos incluem o desligamento dos servidores de internet, a desocupação da sede histórica localizada em Moscou e a circulação de uma última edição antes da paralisação completa das atividades.
Escalada de restrições governamentais
As dificuldades operacionais vinham se acumulando desde 2022, quando a edição impressa foi interrompida, obrigando o veículo a manter apenas a produção online. Desde então, o governo bloqueou o portal de notícias, cassou a licença oficial e confiscou a gráfica da empresa. Sem acesso à plataforma de doações e com ordens para deixar o escritório, a sustentabilidade financeira ruiu.
A perseguição também alcançou os profissionais da casa. O jornalista Oleg Roldugin foi preso sob acusações de acesso ilegal a dados pessoais — as quais nega — e aguarda julgamento. A residência do editor-chefe Sergei Sokolov também foi alvo de buscas policiais recentes.
Legado de jornalismo investigativo
Criada em 1993 com suporte financeiro do ex-líder soviético Mikhail Gorbachev, a instituição consolidou-se como um dos raros espaços de oposição e crítica ao Kremlin, revelando desvios de poder, casos de corrupção e abusos na Chechênia.
O preço dessa atuação foi alto. Seis jornalistas e colaboradores perderam a vida em decorrência do trabalho, incluindo a repórter Anna Politkovskaya, assassinada em 2006 na capital russa. Em 2021, o cofundador e ex-editor Dmitri Muratov foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz.
Impacto do conflito ucraniano
O cerco à liberdade de imprensa apertou ainda mais após o início da ofensiva militar na Ucrânia em 2022, quando Moscou promulgou legislações severas contra a desinformação militar. Enquanto ex-integrantes fundaram no exterior a Novaya Gazeta Europe — atualmente banida pelo governo russo —, a matriz interna sucumbe definitivamente à censura estatal.






