A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou na quinta-feira, 29, que o governo avalia transferir ativos estatais ao setor privado ou devolvê-los aos antigos proprietários. A medida envolve bens considerados não essenciais que estão sob controle do Estado venezuelano.
Mudança econômica e abertura ao capital privado
Durante pronunciamento na televisão, a mandatária informou que determinou o mapeamento do patrimônio público para definir quais frentes serão incluídas na transição. A proposta representa um distanciamento gradual do rígido controle estatal implementado ao longo do período chavista.
“Dei instruções para que os bens não essenciais detidos pelo Estado sejam avaliados a fim de determinar quais podem ser oferecidos ao setor privado ou devolvidos aos seus antigos proprietários. Esse processo já está bem avançado”, declarou.
Histórico de flexibilizações no país
As tratativas dão sequência às transformações econômicas promovidas desde que Delcy assumiu o comando interino em janeiro, logo após a captura de Nicolás Maduro. Nos primeiros meses, o Parlamento autorizou a entrada de capitais particulares no setor petrolífero, quebrando dogmas históricos da gestão anterior.
Ademais, entendimentos diplomáticos firmados com Washington permitiram o retorno de companhias norte-americanas à exploração de campos locais. Auditorias em setores fundamentais, como energia e mineração, vêm ocorrendo por meio de uma comissão especial instituída em abril.
Promessa de calendário eleitoral
No mesmo discurso, a governante assegurou que o país terá pleitos em breve, embora nenhuma data específica tenha sido divulgada até o momento. A realização das votações estaria sob a tutela de um poder eleitoral reformulado.
“Muitos se perguntam sobre o calendário eleitoral. Já disse: haverá eleições, todas as previstas em nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha”, afirmou.
Por fim, a líder interina assegurou que o direito a manifestações pacíficas será respeitado e que o ambiente político permanecerá acessível à oposição e a novos atores sociais após quase dez meses no poder sob forte vigilância internacional.






