O consumo nas famílias brasileiras registrou um recuo de 1,46% no mês de setembro, apontando uma retração em relação ao mês anterior. Os dados oficiais foram divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) nesta quinta-feira, 29, interrompendo uma sequência positiva de dois meses de altas consecutivas no setor.
Desempenho anual e comparação histórica
Mesmo com o resultado negativo no último mês, o índice acumulado no ano ainda apresenta alta de 2,70%, mantendo-se estável frente aos 2,71% registrados até agosto. Na comparação direta com o mesmo mês do ano passado, o indicador mostrou um crescimento de 0,59%.
O vice-presidente da Abras, Márcio Milan, classificou o movimento como uma acomodação. “A retração de setembro não é um movimento isolado deste ano”, afirmou. Ele reconheceu, no entanto, que a queda foi mais intensa que a dos últimos dois anos.
O levantamento detalha que a baixa de setembro é a mais expressiva da série recente. Em períodos anteriores, as variações negativas haviam sido menores, com quedas registradas em 2024 e 2025. O cálculo utiliza o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) como deflator e abrange desde pequenos comércios de bairro até grandes redes atacadistas.
Impacto da inflação de alimentos
A pressão sobre o orçamento familiar veio principalmente da retomada dos preços no setor de alimentação. O IPCA subiu 0,82% em setembro, revertendo a queda de 0,32% observada em agosto. A categoria de alimentação e bebidas avançou 0,83%, enquanto a alimentação consumida no domicílio subiu 0,96%.
A cesta Abrasmercado acompanhou a tendência e registrou alta de 1,08% no período, encerrando um ciclo de três meses seguidos de retração nos preços dos 35 produtos essenciais que compõem o indicador, como itens alimentícios e de higiene. Com isso, o valor médio nacional da cesta passou de R$ 837,14 para R$ 846,22.
Apesar do cenário desafiador, o dirigente destacou pontos que ajudam a amortizar o impacto no bolso dos consumidores. Milan citou a isenção de impostos para produtos da cesta básica como uma das conquistas do governo atual. A medida incluiu carnes e proteínas e, segundo ele, deve ajudar a manter o consumo. O dirigente, no entanto, reforçou a necessidade de monitorar o endividamento da população e a política de crédito.
Força do mercado de trabalho
A sustentação parcial do poder de compra ao longo de 2026 tem sido garantida pelos indicadores favoráveis do mercado de trabalho. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada atingiu o patamar de 103,5 milhões de cidadãos. Além disso, o rendimento médio real habitual alcançou R$ 3.777, representando uma expansão de 3,7% na comparação com o mesmo período de 2025.






