O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve enviar novamente ao Senado a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O movimento político contará com o apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que se reaproximou do Palácio do Planalto e articula disputar a reeleição para o comando do Senado em 2027 contando com o respaldo do PT.
Rejeição histórica e crise institucional A indicação original ocorreu em 20 de novembro de 2025 para preencher a vaga decorrente da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. Contudo, a escolha gerou atritos porque Alcolumbre defendia o nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco para a Corte.
Em 29 de abril de 2026, o plenário rejeitou a escolha por 42 votos contrários e 34 favoráveis, marcando a primeira vez desde 1894 que os senadores barraram um postulante à Suprema Corte. O revés provocou o rompimento da aliança entre Lula e o senador, embora o presidente tenha mantido a convicção na escolha.
“Portanto, eu vou indicar o Messias outra vez”, declarou o presidente, durante uma agenda em Sergipe.
Reaproximação e jantar estratégico O gelo entre o Executivo e o Legislativo começou a derreter em 4 de agosto, durante um jantar organizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que retomou o contato direto entre Lula e Alcolumbre após três meses de afastamento. Poucos dias depois, novas reuniões no Palácio da Alvorada selaram o compromisso de destravar pautas prioritárias do governo.
Após um dos encontros, Alcolumbre classificou a conversa como um diálogo maduro, franco e republicano. Já o então ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, confirmou que o entendimento entre o governo e a presidência do Senado havia avançado.
Desafios regimentais e contagem de votos Para que Jorge Messias ocupe a cadeira que permanece vaga desde outubro de 2025, o nome precisará passar novamente por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e obter pelo menos 41 votos favoráveis no plenário.
Contudo, o Ato da Mesa nº 1, de 2010, proíbe que uma indicação rejeitada retorne à análise no curso da mesma sessão legislativa, adiando a nova votação formal para 2027. Com a promessa de articulação do comando do Senado, o cenário se modifica em comparação à primeira tentativa, embora a construção da maioria ainda exija esforço político intenso.






